Na última sexta-feira (07), a Cosan (CSAN3) anunciou a proposta de aquisição de participação de até 6,5% da Vale (VALE3), em uma operação que pode chegar a R$ 22 bilhões. A operação está sendo vista com desconfiança por parte do mercado, em que os papéis de Cosan e Vale desvalorizam 7,00% e 3,00% em média, respectivamente, nesta segunda.
Apesar disso, a equipe de research do BTG Pactual (BPAC11) divulgou dois relatórios recomendando a compra das ações das empresas. O preço-alvo da Cosan é de R$ 39, com um potencial de valorização de 133,53%, enquanto que a Vale tem um preço-alvo de R$ 90, com um upside de 19,20%.
Por que investir na Cosan?
O relatório do BTG exalta a capacidade da Cosan de se transformar constantemente. De uma empresa de açúcar e etanol, ela conseguiu construir um conglomerado de energia, renováveis, logística e recursos naturais. “O negócio se encaixa na estratégia de longa data da CSAN de investir em empresas com fortes vantagens competitivas e que a CSAN poderia de alguma forma contribuir com sua visão e expertise de gestão”, cita o relatório.
Apesar disso, o relatório faz um alerta sobre o tamanho da operação. Haja vista, os analistas indicam três caminhos para a forma como a compra será feita:
- a compra de 1,5% das ações ordinárias da Vale;
- um empréstimo-ponte para adquirir 3,4% das ações ordinárias da Vale e derivativos que protegem contra qualquer queda no preço das ações;
- outra operação de derivativo que confere à CSAN o direito de adquirir 1,6% da Vale, que poderá ser futuramente convertida em ações com direito a voto, dependendo da aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), todas elas financiadas por duas estruturas de collar.
O BTG Pactual destaca que o crescimento em diferentes setores faz parte do DNA da Cosan. Vale lembrar que a companhia tem participação na Raízen (RAIZ4) e da Rumo (RAIL3). Dessa forma, compreender este fato é fundamental para entender a tese do investimento da Cosan.
Logo, a potencial compra da Vale é mais um passo em direção a setores de forte importância para a transição energética global. Além disso, a mineradora oferece uma combinação rara de oportunidades de desbloqueio de valor no ciclo de commodities.
“Os desafios são muitos, mas vemos a CSAN como uma das poucas holdings capazes de aproveitar tais oportunidades. O foco será de extrema importância para o sucesso deste novo passo, mas a estrutura (e cultura) corporativa da CSAN, construída ao longo dos últimos 14 anos, deve preservar a independência de suas subsidiárias”, diz o BTG.
Não obstante, os analistas ainda preferem investir nas subsidiárias da Cosan a curto prazo ou até prever um catalisador que reduza o desconto (um IPO de uma subsidiária, por exemplo).
“Seguimos otimistas com a CSAN e a vemos como uma forte história de geração de caixa em nossa cobertura”, finaliza a análise sobre a Cosan.
Por que investir na Vale?
O banco de investimentos explica que o movimento da Cosan em adquirir cerca de 5% da Vale é positivo para a mineradora, uma vez que mostra resiliência da companhia diante da onda de desvalorização nos últimos meses. A empresa já desvalorizou 5,49% em 2022, mas ao considerar o auge da ação, a queda é ainda mais intensa, com 29,89%.
“Embora não haja bala de prata e reconheçamos que a Vale ainda é altamente influenciada por fatores exógenos na China, o fato de um investidor estratégico estar fazendo uma aposta tão grande na Vale reforça nossa confiança na subvalorização das ações”, argumenta.
Além disso, o BTG acredita que os dados da economia da China devem melhorar em 2023, na medida que o governo relaxe as restrições da covid-19 e a melhora do mercado imobiliário.
Os analistas ainda apontam que a administração da Vale é altamente disciplinada em sua estratégia de alocação de capital, com um capex de crescimento baixo. O capex é o montante de dinheiro despendido na aquisição de bens de capital de uma determinada empresa.
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Outro fator que contribui para investir na Vale é que a mineradora está focada em remunerar os seus acionistas. Segundo o BTG Pactual, a expectativa é liberar um dividend yield de 11 a 12% para 2023, incluindo recompras de ações.
“Reiteramos nossa recomendação de Compra, com a ação da Vale negociando a 4,5x EV/EBITDA em 2023E”, encerra o trecho do relatório sobre a Vale.
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