O Bank of America reafirmou sua recomendação de compra para as ações da Nvidia (NVDA; NVDC34) e elevou o preço-alvo de US$ 320 para US$ 350 — mantendo o papel como sua principal escolha no setor de tecnologia, com potencial de valorização de quase 60% frente aos níveis atuais de negociação.
A revisão ocorre após os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027 da empresa, que voltou a superar as expectativas e entregou guidance acima das projeções de consenso.
Resultados sólidos e dividendo 25 vezes maior
Os números da Nvidia impressionam: receita de US$ 81,6 bilhões no trimestre, alta de 85% sobre o mesmo período do ano anterior, e projeção de US$ 91 bilhões para o próximo trimestre — em linha com as expectativas mais otimistas do mercado.
O BofA destacou três pilares que sustentam sua visão construtiva: o portfólio de inteligência artificial de pilha completa (full-stack), a diversificação das fontes de crescimento entre hyperscalers e fábricas de IA, e a geração de caixa excepcional, com margem bruta de 75% e FCF yield de aproximadamente 48%.
O banco também celebrou o aumento de 25 vezes no dividendo trimestral — de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação — realizado um trimestre antes do esperado, além da autorização de recompra de ações agora na casa de US$ 120 bilhões. As estimativas de lucro por ação foram revisadas para cima em 9% para o ano fiscal de 2027 e em 15% para 2028, chegando a US$ 9,09 e US$ 13,27, respectivamente.
Mercado de IA pode quadruplicar até 2030
O argumento central do BofA para manter a Nvidia como top pick é o tamanho e a velocidade de crescimento do mercado endereçável de inteligência artificial.
O banco projeta que o TAM de IA pode quadruplicar nos próximos quatro anos, chegando a US$ 3 trilhões ou mais até 2030 — ante sua própria estimativa anterior de US$ 1,7 trilhão.
Dentro desse cenário, a Nvidia ocupa uma posição que o BofA classifica como de “quase monopólio” no segmento de fábricas de IA e suporte de plataforma completa, áreas onde os chips customizados (ASICs) dos hyperscalers não conseguem competir.
O banco também destacou a liderança emergente da empresa no segmento de CPUs para IA agêntica, com TAM estimado em US$ 200 bilhões e demanda de US$ 20 bilhões já no segundo semestre do ano. Compromissos de compra de clientes somam US$ 145 bilhões, ante US$ 95 bilhões no trimestre anterior.
Riscos: concentração e chips customizados
O BofA reconhece dois vetores de risco para a tese. O primeiro é o peso excessivo da Nvidia no mercado: o papel já representa 8,3% do índice S&P 500 e está na carteira de 78% dos gestores ativos, o que limita a expansão de múltiplos em relação ao mercado mais amplo — razão pela qual o banco reduziu ligeiramente o múltiplo de valuation de 28x para 26x o lucro estimado para 2027.
O segundo risco é o desejo dos grandes clientes hyperscalers de desenvolver e usar chips customizados próprios, reduzindo a dependência de GPUs da Nvidia.
O banco, no entanto, mantém sua projeção de que a Nvidia deve sustentar participação de mercado acima de 70% no segmento de aceleradores ao longo do tempo — e que o CEO Jensen Huang deve trazer mais detalhes sobre a estratégia de IA agêntica e o potencial dos novos CPUs no evento Computex, marcado para 1º de junho.






