A XP Investimentos publicou análise setorial sobre o mercado de beleza e cosméticos no Brasil com foco em Natura (NATU3) e no Grupo Boticário, identificando uma série de movimentos relevantes que podem afetar a dinâmica competitiva do segmento.
O documento não traz mudança de recomendação ou preço-alvo para a ação, mas alerta para novos vetores de pressão — incluindo a chegada da marca asiática SHEGLAM ao varejo físico brasileiro e o avanço de marcas digital-native como a Wepink — que tendem a acirrar a disputa por espaço tanto no canal físico quanto no digital.
SHEGLAM e Wepink no radar competitivo
A entrada da SHEGLAM no varejo físico nacional foi o principal gatilho para a análise. A XP passou a monitorar mais de perto o posicionamento de marcas asiáticas e de influenciadores em relação à Natura e ao Boticário, avaliando estratégias de preços e portfólio de produtos para identificar potenciais pontos de vulnerabilidade.
Segundo o relatório, investidores estão cada vez mais atentos a esses movimentos, especialmente considerando o crescimento do social commerce e do cross-border como canais de distribuição alternativos, que já pressionam os modelos de venda direta tradicionais.
Grupo Boticário aperta o cinto
A análise identificou uma série de iniciativas do Grupo Boticário voltadas à melhora de rentabilidade: aumento do pedido mínimo para frete grátis, eliminação de sacolas de presente gratuitas e ampliação dos pontos necessários para resgates.
A XP também observou, por meio de checagens em redes sociais, indícios de demissões na companhia — movimento interpretado como sinal de que o ambiente macroeconômico desafiador está pesando sobre os resultados, ou ainda como uma preparação para a perda competitiva que pode decorrer da mudança no regime de Substituição Tributária em São Paulo.
No lado positivo, o GB lançou campanhas de cashback para consultoras menos produtivas, posteriormente estendidas a todos os níveis.
Natura estimula consultoras
A Natura, por sua vez, tem apostado em campanhas temáticas para estimular a frequência de compra das consultoras, incluindo uma iniciativa que reduziu o pedido mínimo em aproximadamente 40% para categorias de cuidados pessoais de uso diário. A XP vê a estratégia como coerente com o esforço de reativação da base iniciado no começo do ano.
Já a Avon tem colhido feedback positivo para novos lançamentos — com destaque para o perfume Iconic e a colaboração “Devil Wears Prada” da Eudora — mas a análise ressalta que a inovação contínua é essencial para manter os consumidores engajados.
Reajustes de preços podem vir no curto prazo com o fim do regime de Substituição Tributária no estado de São Paulo, movimento que a XP afirma acompanhar de perto.






