O Bradesco BBI manteve a recomendação neutra para a Auren (AURE3), com preço-alvo de R$ 17,00 por ação. A leitura do banco é que os gatilhos de curto prazo são limitados e o ganho relevante só aparece no fim da década.
A casa revisou suas estimativas incorporando dados recentes de geração e a atualização da curva de preços de energia. O resultado aponta Ebitda de R$ 831 milhões no terceiro trimestre de 2026 e de R$ 865 milhões no quarto.
Chuva alivia, restrição de geração aperta
A queda recente do preço no mercado à vista, impulsionada pelas boas chuvas, joga a favor no curto prazo. O efeito é direto sobre a posição vendida da companhia no balanço de energia, ou seja, sobre o volume que ela precisa comprar no mercado para honrar contratos já firmados.
“Esse benefício deve ser parcialmente ofuscado pelo forte impacto das contínuas restrições de geração nos ativos eólicos e solares da empresa”, apontam Francisco Navarrete e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI.
O chamado curtailment ocorre quando o operador do sistema manda as usinas reduzirem a produção, geralmente por limitação da rede de transmissão.
O calendário empurra o ganho para 2029
“Como a Auren possui a maior parte de sua energia já contratada para 2027 e 2028, vemos pouco espaço para revisões positivas de lucros nos próximos trimestres”, observam Navarrete e França.
A lógica é de agenda, e não de tese. Os contratos antigos travaram preços em patamares que não acompanham a curva atual, o que impede a companhia de capturar eventuais altas enquanto eles estiverem valendo.
A virada acontece quando essa trava se solta. A capacidade descontratada da geradora aumenta de forma significativa a partir de 2029, e é nesse ponto que se concentram tanto o potencial de valorização quanto a geração de caixa mais forte.
“Preferimos aguardar um melhor ponto de entrada, visto que a captura de preços de energia mais altos só deve beneficiar a companhia de forma mais contundente a partir de 2029”, projetam os analistas.






