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Vale e CSN Mineração: corte de guidance da CMIN pode afetar mineradora?

Vale e CSN Mineração: corte de guidance da CMIN pode afetar mineradora?

A orientação da Vale para 2026 permanece entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de finos, além de 30 milhões a 34 milhões de toneladas de pelotas

A forte revisão das projeções da CSN Mineração (CMIN3) reacendeu no mercado a discussão sobre a possibilidade de a Vale (VALE3) também reduzir seu guidance de produção de minério de ferro. Em relatório, a Ativa Investimentos avalia que a chance de um corte pela Vale em 2026 é baixa, embora não seja zero, e destaca diferenças estruturais importantes entre as duas mineradoras.

Para a Ativa, a Vale conta com uma combinação de escala, qualidade do minério e estrutura logística que reduz sua exposição aos mesmos problemas que levaram a CSN Mineração a rever suas estimativas. A recomendação para VALE3 permanece neutra, com preço-alvo de R$ 92.

O principal diferencial está na exposição ao frete marítimo. A CSN Mineração foi afetada pela forte alta do frete Capesize entre Brasil e China, especialmente em produtos de menor teor comercializados com frete spot. A Vale, por outro lado, possui uma das maiores frotas próprias do mundo, incluindo os navios Valemax, além de contratos de longo prazo que reduzem a volatilidade dos custos de transporte.

A Vale também conta com minério de maior qualidade, especialmente o produzido em Carajás, que recebe prêmio em relação ao minério de referência. Por isso, na avaliação da Ativa, o choque que levou a CSN Mineração a reduzir sua produção no Complexo Pires não pode ser automaticamente replicado para a Vale.

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A orientação da Vale para 2026 permanece entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de finos, além de 30 milhões a 34 milhões de toneladas de pelotas. O consenso está próximo do centro da faixa, em 340,45 milhões de toneladas de finos e 31,99 milhões de toneladas de pelotas.

O custo caixa C1 esperado pela companhia está entre US$ 22,5 e US$ 23,5 por tonelada, enquanto o consenso aponta para US$ 22,96 por tonelada. Embora a produção acumulada esteja cerca de 9% abaixo do ponto médio do guidance, a Ativa considera que o desempenho ainda é compatível com a sazonalidade da companhia, que costuma concentrar volumes maiores no segundo semestre, após o período de chuvas no Pará.

Minério abaixo de US$ 88 preocupa

O principal risco para um eventual corte estaria no comportamento dos preços do minério de ferro. O consenso para 2026 considera preço realizado próximo de R$ 471 por tonelada, equivalente a aproximadamente US$ 86 por tonelada pelo câmbio atual.

Com o minério de ferro 62% Fe CFR China próximo de US$ 90,86 por tonelada, a margem de segurança para essa premissa é considerada limitada após os efeitos de frete, umidade e ajustes de qualidade. Segundo a Ativa, uma cotação sustentada abaixo de US$ 88 por tonelada poderia colocar essa projeção em risco.

Outro ponto de atenção são as compras de minério de terceiros. Antes de reduzir a produção própria, a Vale poderia diminuir esses volumes utilizados na blendagem. Além disso, a companhia ainda não confirmou uma expansão de produção para 2027 relacionada ao projeto +20 em Serra Sul, o que, na visão da Ativa, preserva flexibilidade caso as condições de mercado piorem.

O discurso da administração também ficou mais cauteloso. A Vale moderou sua visão sobre remuneração extraordinária aos acionistas, destacou uma fraqueza maior que a esperada na economia chinesa e apontou que a demanda doméstica de aço permanece fraca. A companhia também estima que entre 100 milhões e 150 milhões de toneladas anuais da oferta global de minério já operem sem rentabilidade.

Apesar disso, a Ativa observa que a Vale está mais bem posicionada para atravessar um cenário adverso por conta de sua qualidade de minério, custos, logística e escala. O Ebitda da companhia, porém, já apresenta compressão: passou de R$ 89,9 bilhões em 2024 para R$ 87,1 bilhões em 2025, enquanto o consenso aponta R$ 79 bilhões para 2026.

Na escala de aproximadamente 340 milhões de toneladas, cada variação de US$ 1 por tonelada no preço realizado representa cerca de US$ 340 milhões de impacto no Ebitda. Já um eventual corte de 10 milhões de toneladas, considerando Ebitda unitário entre US$ 15 e US$ 18 por tonelada, reduziria o resultado em aproximadamente US$ 150 milhões a US$ 180 milhões.

Para a Ativa, portanto, o risco mais relevante não está necessariamente em uma revisão do guidance de 2026, mas em uma postura mais conservadora para 2027. Caso o minério permaneça próximo de US$ 90 por tonelada, a Vale poderia não confirmar integralmente o ramp-up do projeto +20, reduzir compras de terceiros e avançar mais lentamente na expansão de Serra Sul, cuja produção plena está prevista para 2028.

O consenso atualmente espera cerca de 345 milhões de toneladas para a Vale em 2027, impulsionadas por S11D e pela produção de pelotas. A companhia, contudo, ainda não confirmou esse volume e deve apresentar ou reafirmar suas perspectivas para o próximo ano em seu evento anual, normalmente realizado no fim do ano.

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