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Genial vira a carteira de junho para a defensiva e aposta em dividendos, elétricas e bancos

Genial vira a carteira de junho para a defensiva e aposta em dividendos, elétricas e bancos

A Genial assumiu postura defensiva e tratou as small caps como aposta de virada de ciclo, atrelada ao Copom de 17 de junho

A Genial divulgou a carteira recomendada de ações de junho com uma mudança de postura. Depois de maio inverter o roteiro que sustentou a bolsa brasileira no começo do ano, a corretora abandonou a exposição doméstica e migrou para uma posição mais defensiva.

A virada teve origem no exterior. Em março e abril, o Brasil havia sido o destino preferido entre os emergentes, com fluxo estrangeiro recorde e o Ibovespa em máximas. 

Em maio, o capital externo iniciou o movimento de saída. Deste modo, a bolsa local perdeu espaço, justamente em um momento em que o exterior voltava a comprar risco. 

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A virada de maio

O gatilho veio do petróleo. O choque no entorno do Estreito de Ormuz reabriu o canal de inflação importada, empurrou as expectativas para perto do teto da meta e provocou uma das reprecificações mais intensas da curva longa de juros em anos. 

A esse movimento somaram-se , do avanço da escala 6×1 no Congresso a novas renúncias tributárias em ano eleitoral, que engrossaram o prêmio fiscal exigido pelo mercado.

Para Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial, a casa carregava até abril não se sustentou. A saída de estrangeiros, antes vista como rotação tática, mostrou-se um movimento de fundo.

“A saída externa deixou de ser pontual e se tornou estrutural, sustentada pela preferência global por inteligência artificial em vez de beta emergente; foram investidores institucionais e a pessoa física que absorveram a ponta vendedora e seguraram o mercado”, escreve o estrategista.

Defesa e carrego

Com isso, o posicionamento para junho privilegia setores de receita previsível e forte geração de caixa, ao mesmo tempo em que reduz a exposição a nomes mais sensíveis ao juro.

“Para junho, o posicionamento privilegia previsibilidade e retorno ao acionista, com preferência por elétricas, saneamento, dividendos e bancos de boa geração de caixa, reduzindo a mão em cíclicos sensíveis a juros, varejo discricionário e nomes alavancados”, afirma Villegas.

O recuo de maio deixou a bolsa ainda mais barata. O Ibovespa é negociado a 8,4 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo da média histórica de 10,5 vezes. Excluindo Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), o múltiplo sobe para 10,4 vezes, ainda aquém da referência de 12 vezes. O maior desconto está nas small caps, negociadas a 8,8 vezes contra média histórica de 13,1 vezes.

É justamente esse desconto que mantém as small e micro caps no radar, ainda que sob condições. A casa as trata como uma aposta de virada de ciclo, a ser montada aos poucos e ancorada na reunião do Copom de 17 de junho.

“As small e micro caps permanecem com a melhor assimetria da bolsa, mas tratadas como aposta de virada de ciclo, a ser construída aos poucos e condicionada a um Copom mais claro em 17/06, não como tendência a surfar agora”, pondera o estrategista.

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As trocas do mês

As alterações nas carteiras refletem o tom mais cauteloso. Usiminas (USIM5) foi o nome mais incluído e entrou nas seleções Ibovespa 10+, Ibovespa 5+, Small Caps 8+ e ESG 5+. 

Vale e Log CP (LOGG3) também ganharam espaço em mais de um portfólio, enquanto AXIA Energia (AXIA3) e Eneva (ENEV3) deixaram várias carteiras.