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Localiza e Movida: Medida do governo sobre elétricos pode atrapalhar

Localiza e Movida: Medida do governo sobre elétricos pode atrapalhar

Governo renova por seis meses cotas de importação com tarifa zero para veículos eletrificados, permitindo a entrada de até 34 mil veículos

O governo brasileiro anunciou uma nova rodada de cotas de importação com tarifa zero para veículos eletrificados, válida por seis meses — de julho a dezembro de 2026 —, em resposta a solicitações de montadoras chinesas.

O benefício fiscal permanece inalterado em relação ao programa anterior, totalizando US$ 463 milhões em isenções de imposto de importação, o equivalente a até cerca de 34 mil veículos importados em condições tarifárias incentivadas.

A medida distribui as cotas da seguinte forma: US$ 281 milhões para híbridos plug-in (PHEV), US$ 97,5 milhões para elétricos puros (BEV) e US$ 84,5 milhões para híbridos convencionais (HEV).

Entretanto, o cronograma de elevação tarifária já existente foi mantido, com veículos SKD passando a ser tributados pela alíquota cheia de 35% a partir de julho de 2026, enquanto os CKD seguirão aumento mais gradual, atingindo a alíquota final apenas em janeiro de 2027.

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Locadoras no centro do impacto

Para a XP Investimentos, o anúncio representa um potencial vento contrário de curto prazo para as locadoras de veículos, com destaque para Movida (MOVI3) e Localiza (RENT3).

Caso a intensificação da concorrência entre as montadoras se traduza em preços mais baixos de veículos, o impacto mais direto seria sobre a depreciação das frotas das locadoras — um dos principais vetores de resultado do setor.

O raciocínio é simples: veículos mais baratos no mercado reduzem o valor residual dos carros já na frota das locadoras, pressionando a linha de depreciação e, consequentemente, os resultados. Contudo, a XP destaca que o caráter temporário da medida limita impactos estruturais de longo prazo para o setor.

Risco de novas extensões mantém mercado atento

A XP ressalta dois pontos de atenção que vão além do impacto imediato da medida. Primeiro, não se pode descartar novas extensões do programa de cotas após dezembro de 2026 — assim como ocorreu agora, com a renovação do benefício concedido no ano passado.

Segundo, o tema tem sido cada vez mais discutido entre os participantes do mercado, o que mantém a incerteza elevada para o setor de locação.

As OEMs chinesas argumentaram que cumpriram os compromissos de investimento previamente acordados com o governo para justificar a renovação das cotas.

Entretanto, a manutenção do cronograma tarifário — com todas as categorias de veículos atingindo a alíquota máxima de 35% até janeiro de 2027 — sinaliza que o governo não pretende abrir mão definitivamente da proteção à indústria nacional, mantendo o mercado em compasso de espera sobre os próximos desdobramentos da política comercial para o setor automotivo.