O BTG Pactual cortou parte das projeções para a Femsa (KOFN34), mas não mudou de ideia sobre a ação. O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de 249 pesos por unidade, ou US$ 145 por ADR, em relatório divulgado nesta terça-feira (22).
Com o papel cotado a 210,83 pesos, o potencial de valorização é de 18,1%. Somado ao dividendo projetado de 6%, o retorno total estimado chega a 24,1%.
A revisão veio depois do resultado do segundo trimestre. Mesmo com vendas mesmas lojas melhores, o Ebitda previsto para a OXXO México em 2027 caiu 3%, embora a estimativa de receita tenha subido 1%. A explicação está na margem bruta menor.
No consolidado, a projeção de Ebitda para 2027 recuou 2% e agora fica 2% abaixo do consenso de mercado. Pelas contas do banco, a ação negocia a 23,5 vezes o lucro estimado para aquele ano.
O que esperar da Femsa no terceiro trimestre
Para o 3T26, os analistas Alvaro Garcia e Jorge Izquierdo esperam alta de 8% nas vendas consolidadas e de 10% no Ebitda, com lucro de 2 pesos por unidade.
Na OXXO México, as vendas mesmas lojas devem crescer 7%, com receita e Ebitda avançando 9% cada. A margem bruta ainda deve cair 0,3 ponto percentual na comparação anual, contra recuo de 0,7 ponto no 2T26, melhora sequencial que o banco atribui à Panini. Já a margem Ebitda deve ficar estável, em 15,1%.
Na Coca-Cola Femsa (KOF), a previsão é de Ebitda 8% maior que um ano antes.
O café e o cachorro-quente
Em julho, o BTG levou o CEO José Antonio Fernández a uma rodada de encontros com investidores em Nova York. O resultado agradou. “Saímos mais otimistas com a recente campanha de preços acessíveis da OXXO México e com os planos de reforçar as ofertas de comida pronta e de reposição diária de mercearia”, escreveram Garcia e Izquierdo.
A ambição da gestão ficou clara em uma frase repetida pelos analistas: a empresa quer que o café da OXXO seja como o cachorro-quente da Costco, um produto barato que atrai o cliente para dentro da loja. O banco ainda espera avanços relevantes no merchandising.
A Bara, rede de hard discount da companhia, também surpreendeu. A gestão chegou com uma visão mais afiada que o esperado para o formato, que pretende escalar rápido. “Achamos que ela está cada vez mais bem posicionada para surfar o boom das marcas próprias no México”, apontou Izquierdo.
O BTG projeta vendas de US$ 920 milhões para a Bara em 2026 e de US$ 1,4 bilhão em 2027. Os analistas também gostaram dos planos de usar dados em mídia de varejo, fidelidade e gamificação, e não descartam, no médio prazo, novas vendas de ativos que agreguem valor.
Desconto de holding menor
Na soma das partes, o preço-alvo ficou inalterado, com a OXXO um pouco abaixo e a Bara um pouco acima. A OXXO México responde sozinha por 61,1% do valor calculado para o grupo.
O banco reduziu o desconto de holding aplicado de 10% para 5%, por conta da maior visibilidade sobre a alocação de capital. “A Femsa não negocia mais com desconto em relação à soma das partes, e achamos que isso faz sentido”, observou Garcia. A Femsa Comercio, por sua vez, aparece a 11 vezes EV/Ebitda, pouco abaixo da média histórica de 11,8 vezes.
O relatório ainda compara a OXXO México à rival Tiendas 3B. O BTG atribui valor de US$ 32,1 bilhões à OXXO, com 25.275 lojas, contra US$ 10,3 bilhões para a 3B, com 3.974 unidades. Por loja, portanto, o mercado paga o dobro pela concorrente: US$ 2,6 milhões, contra US$ 1,3 milhão.
Depois da alta, mais espaço
A ação acumula valorização de 15% no ano, enquanto o índice Mexbol está estável. Para o BTG, contudo, o movimento não esgotou o potencial.
“Esperamos que o momento operacional positivo continue, apoiado no forte crescimento de vendas mesmas lojas da OXXO México”, afirmaram Garcia e Izquierdo, que também contam com crescimento resiliente da KOF e com oportunidades no digital.






