A Embraer (EMBJ3) está perto de repetir no Japão a vitória que conquistou sobre a Airbus no ano passado. Segundo a Bloomberg, a Japan Airlines (JAL) tende a optar pelo E190-E2 em vez do A220-100 em uma encomenda de cerca de 20 jatos regionais.
A decisão final pode sair já em outubro. O duelo é idêntico ao que a fabricante brasileira venceu na ANA, e a disputa se encaixa na revisão de frota que a JAL conduzia em novembro de 2025, quando avaliava até 40 jatos regionais e 30 turboélices.
Para o BTG Pactual, a notícia reforça a tese de investimento. “Acreditamos que isso adiciona mais combustível ao momento comercial da Embraer com a família E2, o que sempre sustenta o desempenho das ações”, escreveram Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim em relatório desta terça-feira (22).
O banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 101 para o ADR, que fechou a US$ 76,93 em Nova York. A diferença representa potencial de valorização de 31,3%.
Terreno conquistado em pouco tempo
Desde fevereiro de 2025, a posição da Embraer no Japão se fortaleceu rápido. No ano passado, a ANA escolheu o E190-E2 para renovar a frota doméstica, com 15 pedidos firmes e cinco opções. Foi a primeira encomenda da família E2 feita por uma aérea japonesa.
Em julho deste ano, o conselho da ANA Holdings aprovou mais oito E190-E2, avaliados em cerca de ¥ 105 bilhões (US$ 642 milhões) a preço de tabela. As entregas estão previstas entre 2029 e 2032, e os jatos vão substituir os CRJ-700 da companhia.
Nesta semana, veio ainda a renovação do contrato do Pool Program, que dá suporte à operação de 32 E-Jets. Os analistas, contudo, enxergam nesse movimento mais do que uma sequência de vendas.
“Esse apetite crescente pelo E2 não só oferece mais uma evidência de validação do produto, ao lado de outros pedidos recentes, como também aponta para uma cadeia de suprimentos em melhora e para uma disposição maior das companhias aéreas em ampliar capacidade diante da demanda sólida nos próximos anos”, avaliou a equipe de Marquiori.
Ásia entra no mapa
Uma vitória na JAL faria, portanto, dos dois maiores grupos aéreos do Japão clientes do E2. O interesse do BTG, entretanto, vai além do país. “Temos tido a percepção de que uma das principais avenidas de crescimento da Embraer daqui para frente pode ser a Ásia”, observaram Marquiori, Recchia e Alkmim.
A Índia sustenta esse raciocínio. Por lá, foram anunciadas recentemente as regras de uma concorrência (RFP) para aeronaves, e a Embraer mantém campanhas comerciais em andamento com a IndiGo e a Star Air.
Carteira cheia, atenção à entrega
Pedidos novos são sempre bem-vindos, mas a Embraer já carrega uma carteira recorde de US$ 35 bilhões, fruto de três anos seguidos de encomendas fortes. A questão agora é transformar esse volume em entregas e rentabilidade.
“O mercado pode se concentrar cada vez mais na execução, sobretudo do ponto de vista de margem”, alertaram os analistas do BTG, que citam a reprecificação na Aviação Executiva e o fim dos contratos comerciais legados como fatores de atenção.
As projeções do banco apontam nessa direção. A receita deve subir 14% em 2026, para US$ 8,6 bilhões, enquanto o Ebitda passa de US$ 840 milhões para US$ 1,08 bilhão, com a margem avançando de 11,1% para 12,4%. O lucro líquido deve saltar 63%, para US$ 575 milhões.
Com melhora gradual na cadeia de suprimentos e nas entregas, o BTG reiterou a Embraer como uma de suas ações preferidas. Marquiori e equipe apontam como justificativa “um forte momento de lucros e um valuation mais barato que o dos pares”, com a ação negociada a 12 vezes EV/Ebitda para 2027.
Para o banco, o desconto em relação às fabricantes globais não se justifica, já que todas as unidades de negócio da Embraer têm perspectiva positiva.






