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CPFL ganha potencial com avanço de redes inteligentes e data centers

CPFL ganha potencial com avanço de redes inteligentes e data centers

Para o Safra, a expertise de longo prazo da SGCC, controladora da CPFL, pode ajudar a companhia brasileira

A experiência da China com redes inteligentes, armazenamento de energia, veículos elétricos e data centers reforçou a visão positiva do Safra sobre a CPFL (CPFE3), segundo relatório divulgado pelo banco após uma viagem de analistas a Pequim e a diferentes instalações do setor elétrico chinês. Para o Safra, a expertise de longo prazo da State Grid Corporation of China (SGCC), controladora da CPFL, pode ajudar a companhia brasileira a direcionar investimentos e alocar capital diante das novas demandas do mercado de energia.

O banco destaca que a SGCC considera o Brasil um mercado estratégico e vê a CPFL como uma de suas principais subsidiárias e um ativo de destaque entre seus investimentos internacionais. A percepção foi reforçada por executivos da State Grid International Development (SGID), braço responsável pelos investimentos da estatal fora da China. Segundo o relatório, 64% dos investimentos da SGID estão na América do Sul.

A estratégia da controladora chinesa também pode abrir espaço para novos investimentos da CPFL em infraestrutura de distribuição. De acordo com o Safra, a SGID continua interessada em direcionar capital para o segmento e avalia oportunidades relacionadas a leilões, especialmente projetos de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), além de potenciais aquisições, como ativos da Enel SP, e alternativas de financiamento subsidiado.

O Safra mantém recomendação neutra para CPFE3 e preço-alvo de R$ 58,70, ante cotação de R$ 45,23 considerada no relatório. O preço-alvo implica potencial de valorização de aproximadamente 30% em relação àquele nível.

Para 2026, o banco projeta múltiplo EV/Ebitda de 6,4 vezes, relação preço/lucro de 10,6 vezes e dividend yield de 7,5% para a CPFL. A ação acumulava queda de 16% no ano até a data de referência do relatório, enquanto o desempenho em 12 meses era positivo em 17%.

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China antecipa tendências

Um dos principais aprendizados da viagem, segundo o Safra, foi a escala alcançada pela China na implantação de redes inteligentes. A SGCC iniciou o processo em 2009 e chegou a uma cobertura próxima da universalização em 2024. Na província de Jiangsu, o sistema já havia sido concluído em 2014.

Os medidores inteligentes utilizados pela companhia chinesa enviam informações a cada 15 minutos e permitem o uso de cerca de 90 tipos de dados. Entre as aplicações estão a identificação das áreas afetadas por interrupções no fornecimento, a otimização de preços, a detecção de falhas e o gerenciamento remoto de recursos por meio de usinas virtuais, conhecidas como VPPs.

Para o Safra, essa experiência pode servir como referência para a evolução das redes elétricas brasileiras, especialmente à medida que aumenta a necessidade de administrar uma matriz mais complexa e com maior participação de fontes intermitentes.

Outro destaque foi o armazenamento de energia. Os analistas visitaram a usina hidrelétrica reversível de Tianhuangping, com capacidade de 1,8 GW, que utiliza a diferença de preços entre os períodos de maior e menor demanda para armazenar energia e posteriormente devolvê-la ao sistema.

O banco também chamou atenção para o avanço das baterias de brometo de zinco desenvolvidas na China. A tecnologia apresenta, segundo o relatório, maior segurança e vida útil, chegando a cerca de 13 mil ciclos, embora tenha custo superior ao das baterias de íons de lítio.

Data centers: nova fronteira de demanda

O crescimento dos data centers também apareceu como uma das principais tendências observadas pelos analistas. O Safra visitou o Yangzhou Big Data Industrial Park, que reúne cerca de 1 GW de capacidade distribuída em seis centros de dados. Aproximadamente 90% da estrutura está relacionada a armazenamento e 10% à inteligência artificial.

O banco afirma que investimentos regionais nesse segmento podem chegar a 100 bilhões de yuans nos próximos cinco anos. Para o mercado brasileiro, a tendência é especialmente relevante diante do aumento da demanda de energia associada à expansão dos data centers no país.

Na avaliação do Safra, esse movimento pode representar uma nova frente de crescimento para as empresas de infraestrutura elétrica, ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de investimentos em redes, capacidade de geração e soluções para gerenciamento da demanda.

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