A Suzano (SUZB3) elevou novamente os preços da celulose nos mercados internacionais, em um movimento que, na avaliação do Bank of America (BofA), reforça a percepção de que o mercado pode estar deixando para trás o ponto mais baixo do ciclo. A companhia comunicou aos clientes reajustes para outubro de US$ 55 por tonelada nas Américas, US$ 50 na Europa e US$ 20 na China e em outros mercados asiáticos, segundo informações citadas pelo banco.
É a segunda alta mensal consecutiva anunciada pela Suzano, depois do reajuste de US$ 20 por tonelada para os embarques de madeira dura destinados à China em setembro, comunicado em 28 de agosto. Para o BofA, a sequência de aumentos representa um importante sinal de mudança no mercado de celulose.
O banco afirma que o movimento reforça sua visão de que os preços estão próximos ou já passaram do ponto de inflexão. A análise se baseia na percepção de maior equilíbrio entre oferta e demanda, após um período de pressão sobre as cotações. Nesse cenário, o BofA mantém a Suzano como sua ação preferida para capturar essa mudança no ciclo.
Sinais de aperto
O BofA aponta que conversas recentes com participantes da indústria corroboram a percepção de um cenário mais apertado por trás do novo aumento de preços.
Um fornecedor brasileiro acompanhado pela Fastmarkets RISI teria aplicado um aumento de US$ 20 por tonelada na celulose de fibra curta (BHK) na Coreia do Sul em setembro e já sinalizado aos clientes a intenção de promover outro reajuste de US$ 20 por tonelada nos embarques de outubro. Segundo o relatório, a movimentação é sustentada pela aceleração das atividades de recomposição de estoques e por preços mais firmes de celulose de mercado.
Na China, o BofA observa que as vendas de BHK permaneceram robustas, com a atividade de compras se ampliando para celulose de fibra curta e média, além de grandes distribuidores e fabricantes de papel. Ao mesmo tempo, os estoques permaneceram limitados, indicando menor disponibilidade do produto.
Os estoques combinados nos portos chineses de Qingdao e Changshu caíram cerca de 130 mil toneladas em uma semana, para aproximadamente 2,32 milhões de toneladas. Para o banco, a queda reforça os sinais de recomposição da demanda e de redução dos estoques disponíveis.
Europa também contribui para o cenário
O relatório cita ainda movimentos de oferta no mercado europeu que podem ajudar a sustentar os preços. A Domtar, por exemplo, retirou quase 200 mil toneladas de celulose de fibra curta do mercado desde julho, após o fechamento indefinido de sua fábrica de celulose de madeira de lei em Espanola, no Canadá.
Na avaliação do BofA, esse movimento contribuiu para uma redução da disponibilidade de celulose no mercado europeu. Ao mesmo tempo, os preços da celulose de fibra longa na China avançaram, em um ambiente de estoques mais baixos e oferta limitada.
O conjunto de fatores — estoques menores de celulose de fibra curta e longa, redução da disponibilidade de produto, recomposição dos estoques na Ásia e uma oferta mais apertada — sustenta, segundo o banco, a capacidade da Suzano de continuar buscando preços mais elevados nos próximos meses.
Para o BofA, portanto, o segundo reajuste consecutivo da Suzano não é apenas uma decisão comercial isolada, mas um sinal de que as condições do mercado de celulose estão mudando. A combinação de demanda mais firme e oferta mais restrita aumenta a capacidade dos produtores de defender novas altas, reforçando a tese do banco de que a inflexão do ciclo pode já estar em curso.
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