Três grupos apresentaram propostas para o leilão de mais de 400 quilômetros da rodovia Régis Bittencourt — trecho da BR-116 entre São Paulo e Curitiba —, agendado para 23 de julho na B3. O novo contrato resulta da renegociação da concessão existente e prevê R$ 7,2 bilhões em investimentos para expansão de capacidade e melhorias operacionais.
A disputa acirrada já era esperada pelos analistas André Ferreira e J. Ricardo Rosalen, do Bradesco BBI, que veem o projeto como estruturalmente atrativo para os concorrentes.
Retornos estimados entre 15% e 20%
O Bradesco BBI estima que o projeto pode gerar retornos na faixa de 15% a 20% em TIRs (Taxa Interna de Retorno) reais alavancadas. As premissas incluem desconto tarifário superior a 17% — em linha com o leilão da Fernão Dias, concessão de perfil contratual semelhante —, ganhos de eficiência de cerca de 15% e alavancagem de aproximadamente 60% do consumo de caixa nos primeiros cinco anos.
“Estimamos que este projeto possa gerar retornos na faixa de 15% a 20%, com base em desconto tarifário superior a 17%, potencial de alta no tráfego inicial e ganhos de eficiência na casa dos 15%”, afirmam Ferreira e Rosalen.
O volume de tráfego atual da concessão supera as projeções do modelo governamental, o que representa potencial de alta relevante para o vencedor do leilão. Além disso, o projeto conta com mecanismos de compartilhamento de riscos relacionados a tráfego, preços de insumos, licenciamento ambiental e custos de desapropriação — fatores que reduzem a incerteza para os concorrentes.
Atratividade estrutural, mas com complexidades
Apesar das características favoráveis, o Bradesco BBI alerta para complexidades inerentes ao perfil de M&A do projeto.
“Existem riscos como visibilidade limitada sobre ativos e passivos acumulados durante a concessão vigente, maior rigor na exigência de cumprimento de compromissos de investimento na fase de transição e prazo de concessão mais curto”, destacam os analistas.
No entanto, os analistas ressaltam que fatores estruturais devem fomentar a competição.
“A importância estratégica da rodovia para o Brasil, seu perfil semelhante ao de títulos de renda fixa — com altas garantias de receita pela indexação à inflação — e a pressão limitada de alavancagem tornam o projeto atrativo para múltiplos concorrentes”, concluem Ferreira e Rosalen.






