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BofA vê Dasa cada vez mais perto de rivalizar com Rede D’Or; ações disparam

BofA vê Dasa cada vez mais perto de rivalizar com Rede D’Or; ações disparam

O Bank of America (BofA) reforçou a recomendação de compra para as ações da Dasa após reunião com a diretoria da Rede Américas

O Bank of America (BofA) reforçou a recomendação de compra para as ações da Dasa (DASA3) após reunião com a diretoria da Rede Américas — joint venture que reúne ativos hospitalares da própria Dasa — e destacou um ponto que chama atenção no mercado de saúde brasileiro: a Rede Américas está se consolidando como uma alternativa competitiva à gigante Rede D’Or (RDOR3). Os papéis da companhia disparam pouco mais de 10% após a divulgação deste relatório.

O relatório, assinado pelos analistas Flavio Yoshida e Mirela Oliveira e datado de 23 de julho de 2026, mantém para a Dasa recomendação de compra (buy), com preço-alvo de R$ 5,00 por ação frente à cotação de R$ 2,85 — um potencial de valorização (upside) de 75,4%. O valor de mercado da companhia é estimado em R$ 3,58 bilhões.

O gatilho da tese: Rede Américas como “self-help story”

O ponto mais interessante do relatório é a leitura sobre a Rede Américas. Segundo o BofA, a rede — que reúne hospitais como Samaritano e Nove de Julho — vive um momento de reestruturação interna capaz de sustentar, sozinha, boa parte da tese de valorização da Dasa, independentemente do ciclo macroeconômico. Foi a primeira conversa com investidores do novo CEO da Rede Américas, Licio Cintra, ao lado da CFO Vivianne Valente e do CFO da própria Dasa, Rafael Bossolani.

Os analistas do BofA resumem a virada em três frentes:

  1. Reprecificação com operadoras — antes da joint venture, os reajustes de preços cobriam apenas 30% a 50% da inflação, reflexo do alto endividamento da rede. Agora, os reajustes já rodam em patamares de dois dígitos, ainda abaixo dos concorrentes, mas em recuperação gradual e negociada de forma menos confrontacional com os pagadores.
  2. Sinergias operacionais — a Rede Américas partiu de 4 sistemas hospitalares, mais de 15 versões de software, 2 ERPs e mais de 80 sistemas satélites. Esse número já caiu para menos de 50, com meta de consolidar tudo em um único ERP e dois sistemas hospitalares até dezembro de 2027 — simplificação que a Dasa considera o marco operacional mais relevante do processo, com ganhos esperados em despesas administrativas, ciclo de receita e redução de glosas.
  3. Crescimento seletivo e multi-pagador — a expansão deve se concentrar em regiões onde a rede já é relevante (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília), sem depender dos hospitais de ticket mais alto. Como sinal da competitividade recuperada, Porto Seguro e Amil já direcionaram cerca de 80% dos novos planos para a Rede Américas — ainda que a operadora Amil responda por cerca de 35% da receita, a companhia optou por manter uma base diversificada de pagadores.

Dasa mira fechar gap de margem com a Fleury

Fora do universo Rede Américas, o relatório também chama atenção para a unidade de diagnósticos da Dasa, que enxerga espaço para fechar uma diferença de cerca de 300 pontos-base de margem em relação à Fleury, apoiada em ganhos de produtividade e otimização de processos. A meta é aproximar a rentabilidade da Alta — marca de diagnósticos por imagem da Dasa — à do principal concorrente, com expansão seletiva e autofinanciada, sem pressionar a alavancagem, prevendo de 3 a 4 novas unidades no médio prazo em regiões ainda pouco atendidas.

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Os ativos hospitalares HBA (Hospital da Bahia) e as clínicas AMO seguem sendo tratados como geradores de caixa, o que dá à Dasa flexibilidade para eventualmente desinvestir apenas em condições favoráveis. Outro ponto positivo destacado pelo banco é a baixa concentração de clientes: nenhuma operadora responde por mais de 13% da receita, e a maior fatia do faturamento vem de pagamentos particulares (out-of-pocket), o que reduz o risco associado às negociações com convênios.

Como o BofA calcula o preço-alvo

O preço-alvo de R$ 5,00 para a Dasa foi calculado pelo BofA por meio de um fluxo de caixa descontado ao acionista (DCF-to-Equity), com custo de capital próprio (Ke) de 21,4% ao ano em termos nominais, composto por beta de 2,0, taxa livre de risco de 4,5%, prêmio de risco de mercado de 6,0%, spread soberano de 2,5% e diferencial de inflação de 3,0%. A taxa de crescimento na perpetuidade utilizada foi de 5,8% nominal.

Entre os riscos apontados para a tese, o banco lista a possibilidade de a companhia não conseguir melhorar a margem Ebitda, o aumento da concorrência pressionando o crescimento, dificuldades no processo de desalavancagem financeira e uma eventual deterioração do cenário macroeconômico brasileiro.

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