A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 deve trazer aceleração expressiva nos lucros das empresas listadas no Ibovespa, segundo análise do Bank of America divulgada nesta segunda-feira (27).
O consenso projeta crescimento de receita, Ebitda e lucro por ação de 14%, 32% e 21%, respectivamente — avanço relevante em relação ao primeiro trimestre de 2026, quando os indicadores ficaram em 7%, 10% e 3%. Excluindo commodities, o crescimento do lucro por ação deve chegar a 12%.
A expansão, contudo, deve permanecer concentrada em setores específicos. Distribuidoras de combustível, empresas de mercado de capitais, serviços públicos e commodities lideram as expectativas positivas.
No polo oposto, varejo, alimentos e shoppings seguem como os principais pontos de pressão, penalizados pelo endividamento das famílias e pelo ambiente de consumo ainda desafiador.
Combustíveis, financeiro e serviços públicos em destaque
As distribuidoras de combustível devem entregar margens excepcionalmente fortes, beneficiadas pelo amplo desconto entre os preços domésticos dos combustíveis e a paridade de importação.
No setor financeiro, empresas ligadas ao mercado de capitais devem reportar resultados sólidos, sustentados por fontes de receita cada vez mais diversificadas. Já nas empresas de serviços públicos, as distribuidoras de energia devem se beneficiar de ganhos contínuos de eficiência operacional e volumes regulados resilientes.
No setor de commodities, os resultados devem melhorar com preços mais altos e volumes mais fortes, embora custos crescentes possam compensar parte dos ganhos. As empresas de petróleo, em particular, devem registrar números expressivos, apoiadas pela alta de 25% no preço do petróleo durante o trimestre.
A Petrobras (PETR4) deve apresentar melhora relevante no Ebitda sequencialmente, enquanto a Prio (PRIO3) deve se beneficiar do início das operações do campo de Wahoo — que impulsiona crescimento de produção e diluição de custos, apesar do impacto negativo dos royalties sobre exportações.
Na mineração, as siderúrgicas devem se beneficiar da recuperação de preços, os produtores de minério de ferro de embarques mais fortes e os mineradores de metais básicos da alta do cobre. Na celulose e papel, os resultados devem melhorar sequencialmente com preços mais favoráveis.
Na petroquímica, a Braskem (BRKM5) deve se beneficiar da melhora nos spreads após o conflito no Oriente Médio, apesar das dificuldades em converter resultado operacional em geração de caixa.
Consumo fraco pesa sobre varejo, alimentos e shoppings
O setor de consumo segue como o principal detrator do trimestre. No varejo, o aumento do serviço da dívida e o impacto das apostas esportivas sobre a renda disponível devem pesar nos resultados da maioria das empresas.
Apesar disso, algumas companhias devem se destacar positivamente: Alpargatas deve reportar resultados fortes com ganhos de preço no Brasil e controle de custos internacional; Raia Drogasil (RADL3) e Mercado Livre (MELI34) devem sustentar crescimento robusto de receita; e Arezzo (ARZZ3) deve se beneficiar de comparações fáceis e do vento cambial favorável.
Nos shoppings, o IGP acumulado nos últimos 12 meses ainda negativo deve continuar pressionando as receitas de aluguel, com crescimento de vendas esperado entre 5% e 8% nas carteiras cobertas.
Em alimentos, M. Dias Branco (MDIA3) deve reportar resultados fracos, com ambiente de consumo limitando a capacidade de repasse de preços enquanto os custos seguem pressionados. No setor de proteínas, margens de carne bovina nos EUA devem seguir comprimidas pela escassez de gado, mas com melhora sequencial.
Para o frango, as comparações são difíceis tanto no Brasil quanto nos EUA, com excesso de oferta pressionando os preços.






