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Safra vê riscos no Banco Mercantil, mas XP mantém compra

Safra vê riscos no Banco Mercantil, mas XP mantém compra

Casas concordam sobre desaceleração dos empréstimos e piora do crédito, mas divergem sobre a duração das pressões

O Banco Safra e a XP identificaram um cenário mais desafiador para o Banco Mercantil (BMEB4) após o balanço do segundo trimestre de 2026. As casas destacaram a desaceleração da concessão de crédito e a piora dos indicadores de inadimplência.

A diferença está na avaliação sobre a duração desses obstáculos. O Safra apresentou uma leitura negativa do trimestre, enquanto a XP considera as dificuldades temporárias e manteve recomendação de compra.

O Banco Mercantil registrou lucro líquido de R$ 275 milhões, altas de 13% frente ao 2T25 e de 1% na comparação trimestral. Este foi o 15º trimestre consecutivo de resultado recorde, segundo a XP.

A expansão, contudo, foi beneficiada pela redução da alíquota efetiva de imposto, de 22,3% para 14,9%. Antes dos impostos, o lucro recuou 8% frente ao primeiro trimestre, para R$ 328 milhões.

“Embora o Banco Mercantil tenha reportado lucro líquido de R$ 275 milhões […], acreditamos que a trajetória de crescimento do banco continua a se moderar”, afirma o Safra.

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Originação de crédito cai 44%

A carteira de crédito encerrou junho em R$ 25 bilhões, crescimento anual de 30%, mas queda trimestral de 0,8%. A originação somou R$ 2,6 bilhões, retrações de 44% frente ao primeiro trimestre e de 1% em um ano.

O desempenho foi afetado pelas mudanças nos procedimentos dos empréstimos consignados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O novo processo de consentimento criou uma diferença entre a liberação dos recursos e a confirmação das garantias, além de prejudicar a portabilidade.

A antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas também provocou mais de R$ 300 milhões em amortizações. No consignado privado, a carteira cresceu aproximadamente R$ 200 milhões, abaixo do esperado.

“A originação está próxima das mínimas históricas, com a portabilidade praticamente interrompida”, afirmam Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, analistas da XP, em tradução livre.

A XP espera uma normalização no curto prazo, mas ressalta que a recuperação depende da publicação de novas instruções operacionais pelo INSS.

As receitas de serviços somaram R$ 363 milhões, queda trimestral de 2%. Para o Safra, as tarifas ficaram 13% abaixo de suas projeções, provavelmente devido à redução dos prêmios de seguros diante da menor concessão de crédito.

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Qualidade da carteira preocupa

O índice de inadimplência acima de 90 dias aumentou 0,3 ponto percentual frente ao primeiro trimestre, para 7,6%. O custo do risco avançou 0,5 ponto percentual, segundo o Safra.

Os créditos classificados no estágio 3, associados a maior risco de inadimplência, passaram de 4% para 4,9% da carteira. A cobertura desses contratos recuou 9,1 pontos percentuais, para 106,3%.

O Safra espera que as pressões sobre a qualidade dos ativos continuem durante o segundo semestre. Para a casa, o crescimento mais lento das receitas e as dificuldades de crédito poderão limitar o avanço dos lucros no curto prazo.

A XP reconhece a piora operacional, mas destaca a posição de capital do Banco Mercantil. O índice de Basileia subiu 1,2 ponto percentual, para 17,2%, apoiado pela retenção de lucros e pelo aumento de capital concluído no primeiro trimestre.

“O curto prazo permanece desafiador, mas vemos positivamente a tese de investimento”, afirmam os analistas da XP, em tradução livre.

A XP manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 100. O Safra também possui preço-alvo de R$ 100 e classificação de desempenho superior, apesar da avaliação negativa sobre o trimestre.

Assim, as duas casas reconhecem a desaceleração da originação e a piora do crédito. A divergência está em saber se essas pressões serão temporárias, como espera a XP, ou se limitarão os resultados durante todo o segundo semestre, como prevê o Safra.