O BTG Pactual avaliou que o Banco Mercantil (BMEB4) passou por um turnaround impressionante desde 2021, com ganhos de rentabilidade e expansão de resultados que levaram o banco a lucro acima de R$ 1 bilhão em 2025 e retorno sobre patrimônio superior a 40%.
A leitura foi reforçada após reunião com a diretoria da instituição em Belo Horizonte, com destaque para a consistência operacional mesmo diante de desafios recentes.
INSS segue como núcleo estratégico
O BTG destaca que o foco central do Mercantil permanece no crédito consignado atrelado ao INSS, com forte capacidade de relacionamento e monetização da base de clientes acima de 50 anos.
“O banco construiu uma vantagem competitiva relevante ao combinar proximidade com o cliente e capacidade de cross-sell”, afirmam os analistas Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Antonio Pascale.
Segundo a instituição, mudanças operacionais recentes no setor, como exigências biométricas, reduziram a originação em todo o sistema, mas abriram espaço para ganho de share. “A disrupção na originação cria oportunidade para players com melhor serviço e conhecimento da base”, dizem os analistas.
A avaliação aponta ainda que os clientes do INSS possuem, muitas vezes, renda complementar informal, o que melhora a qualidade de crédito.
“A capacidade de pagamento vai além do benefício previdenciário, o que sustenta o bom desempenho das carteiras”, escrevem Buchpiguel, Rosman e Pascale.
Consignado privado traz opcionalidade, mas pressiona risco
O crédito consignado privado foi classificado como uma avenida de crescimento, mas ainda distante de ser o principal motor do banco. A entrada do Mercantil ocorreu em linha com o mercado, aproveitando a base já existente de clientes FGTS.
Apesar disso, a execução tem sido mais desafiadora do que o esperado.
“A operacionalização ainda enfrenta gargalos relevantes, especialmente na averbação e no engajamento das empresas”, apontam os analistas.
O BTG ressalta que a inadimplência vem acima das expectativas e superior à observada no consignado do INSS. Como resposta, o banco vem apertando critérios de concessão e reduzindo a originação.
“O produto tem margem para absorver estresse, mas o custo de risco deve permanecer pressionado no curto prazo”, afirmam.
Receitas de serviços sustentam modelo, apesar de moderação
As receitas de serviços seguem como pilar do modelo de negócios, com forte presença de seguros e produtos assistenciais. O destaque é o Meu+, lançado em 2022, que mostra bom encaixe junto à base de clientes.
No entanto, o arrefecimento do consignado privado deve afetar o crescimento dessa linha, já que o produto costuma vir acompanhado de seguros com alta penetração.
“A desaceleração do consignado privado tende a reduzir o ritmo de expansão das receitas de serviços”, dizem os analistas.
Ainda assim, o BTG vê esse segmento como estruturalmente relevante para o banco.
“Mesmo com alguma acomodação no curto prazo, a diversificação de receitas segue como diferencial importante”, completam Buchpiguel, Rosman e Pascale.
Resultado forte apesar de ruídos de curto prazo
Na visão do BTG, o Mercantil continua entregando resultados robustos, mesmo com desafios pontuais ligados ao consignado privado. O banco também tem se destacado frente a concorrentes diretos na navegação do ambiente recente.
Com valor de mercado ao redor de R$ 9,5 bilhões, as ações acumulam alta expressiva em 12 meses, embora a liquidez ainda limite a entrada de investidores.
“O case segue sustentado por execução consistente e posicionamento claro no público 50+”, concluem os analistas.






