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Azzas 2154 contrata Morgan Stanley para vender Farm; entenda

Azzas 2154 contrata Morgan Stanley para vender Farm; entenda

De acordo com a empresa, a contratação do banco está alinhada às “práticas usuais de mercado” e tem como objetivo “destravar valor” da marca

A Azzas 2154 (AZZA3) informou nesta sexta-feira (19) que contratou o Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo a marca Farm Rio, após notícias veiculadas na imprensa sobre uma possível venda desses ativos. As ações subiram mais de 8% com os rumores sobre o negócio.

Segundo o comunicado, a iniciativa faz parte de um processo contínuo de análise da companhia sobre sua estrutura e portfólio, com foco em geração de valor para os acionistas.

De acordo com a empresa, a contratação do banco está alinhada às “práticas usuais de mercado” e tem como objetivo “destravar valor” da marca, uma das mais relevantes do portfólio da companhia. Apesar disso, a Azzas 2154 ressaltou que ainda não há qualquer definição concreta sobre a realização de uma transação, nem termos, condições ou cronograma estabelecido para uma eventual operação.

A companhia também reforçou que não foi tomada nenhuma decisão formal até o momento, nem há proposta vinculante ou estrutura definida para a venda.

Disputa societária

Em outro comunicado, a Azzas divulgou o avanço de uma disputa societária envolvendo dois de seus principais executivos, com reflexos diretos na governança e na estrutura operacional da companhia. O caso envolve divergências entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, com diferentes processos arbitrais e judiciais em andamento, além de pedidos de reestruturação interna e questionamentos sobre a condução da gestão.

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Segundo o comunicado, Birman solicitou o encerramento de um dos procedimentos arbitrais para concentrar as discussões em um único processo. “O Sr. Alexandre Birman requereu o encerramento do Procedimento Arbitral CAM n.º 325/26, a fim de concentrar as controvérsias […] no Procedimento Arbitral CAM n.º 326/26”, informou a companhia.

Disputa gira em torno da estrutura da companhia

O centro da controvérsia está nas decisões relacionadas à reorganização interna da empresa, especialmente nas unidades de vestuário feminino e masculino. A discussão envolve mudanças implementadas na gestão e o papel de cada executivo dentro da estrutura.

De acordo com o documento, a demanda “decorre de divergências surgidas no contexto da gestão e governança da AZZAS 2154”, com base nas regras estabelecidas no acordo de acionistas e no estatuto social.

No âmbito judicial, uma medida cautelar chegou a ser concedida para impedir alterações na estrutura organizacional. A decisão determinou “a manutenção da estrutura organizacional […] vigente até 22 de abril de 2026”, além de manter Roberto Jatahy em sua função e na liderança das unidades envolvidas.

Arbitragem concentra os principais embates

Paralelamente, o conflito também está sendo tratado na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM-B3), onde as partes discutem a legalidade das mudanças realizadas. Nesse processo, Jatahy questiona atos adotados por Birman na qualidade de CEO da companhia.

O pedido inclui “a declaração de ilegalidade de certos atos de reorganização interna da Companhia” e eventual reparação de prejuízos. A disputa também envolve alegações de violação ao acordo de acionistas, ampliando a complexidade do caso.

Além disso, Birman apresentou sua defesa no processo arbitral e incluiu pedidos contrapostos. “Alexandre Birman apresentou resposta ao requerimento de arbitragem […] formulando pedidos contrapostos”, informou a companhia.

Companhia busca protagonismo no processo

Diante da escalada do conflito, a própria Azzas 2154 passou a atuar de forma mais ativa nos procedimentos. A empresa solicitou ingresso como terceira interessada na arbitragem, em movimento para acompanhar e influenciar o desfecho das disputas.

“A Companhia apresentou manifestação […] e requereu seu ingresso na arbitragem na qualidade de terceira interessada”, informou o comunicado. Essa postura indica tentativa de centralizar a discussão e proteger seus interesses institucionais.

No plano judicial, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a liminar favorável à estrutura anterior, e a questão de competência ainda aguarda decisão definitiva. Enquanto isso, o caso segue sem acordo entre as partes.