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Autopeças derrubam Randon no 4º trimestre com queda de 20% na receita

Autopeças derrubam Randon no 4º trimestre com queda de 20% na receita

Ebitda ajustado caiu 21% no ano com margem de 10,3%, 2,6 pontos percentuais abaixo do 4T24 e 1,5 ponto abaixo das estimativas do Bradesco BBI

A Randon (RAPT4) encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados negativos em praticamente todas as linhas — e o guidance conservador para 2026 promete prolongar o período de pressão. Para os analistas Daniel Federle e Wellington Lourenço, do Bradesco BBI, o trimestre foi marcado pela deterioração nas autopeças e por itens não recorrentes relevantes que distorceram ainda mais o resultado reportado.

A receita líquida recuou 1,5% na comparação anual — uma virada brusca frente ao crescimento de 10% registrado no terceiro trimestre. O Ebitda ajustado caiu 21% frente ao quarto trimestre de 2024, com margem de 10,3%.

“A margem Ebitda ajustada de 10,3% ficou 1,5 ponto percentual abaixo da nossa estimativa e do consenso, com o Ebitda ajustado 11% abaixo da nossa previsão e 14% abaixo do consenso”, apontam os analistas.

O resultado reportado foi ainda pior. A margem Ebitda sem ajuste despencou para 5,2%, impactada por uma equivalência patrimonial negativa de R$ 155 milhões relacionada ao processo de recuperação judicial da Addiante e por um goodwill impairment de R$ 37 milhões pela aquisição da Hercules. O desfecho foi um prejuízo líquido de R$ 231 milhões no trimestre.

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Excluindo a Fras-le, o quadro é ainda mais preocupante. “A receita orgânica excluindo a Fras-le caiu 20% em base anual, com autopeças recuando 20% e montadoras 21% no mesmo período”, destacam Federle e Lourenço.

“A melhora sequencial em montadoras devido aos vagões foi mais do que compensada por uma forte deterioração nas peças automotivas, com margens 6,2 pontos percentuais menores em base anual”, explicam os analistas.

O único alívio veio da alavancagem: a relação dívida líquida sobre Ebitda excluindo a Randon Bank melhorou de 3,4x para 3,2x no trimestre.

O guidance para 2026 adiciona incerteza.

“Ajustando o dólar para R$ 5,25, mais próximo do câmbio atual, o ponto médio da receita está 7% abaixo da nossa estimativa e 8% abaixo do consenso, o que provavelmente levará a revisões para baixo”, alertam os analistas.

A orientação de margem Ebitda entre 12% e 14% também pode enfrentar “pressão adicional devido a efeitos contrários do câmbio e margens fracas em autopeças”, concluem Federle e Lourenço.