As ações da Smart Fit (SMFT3) figuravam entre as maiores quedas da bolsa, recuando mais de 7% após a divulgação dos resultados do segundo trimestre e da teleconferência com analistas. Apesar da reação negativa do mercado, a Ativa Investimentos afirmou que sua visão sobre a companhia permanece positiva e reiterou a recomendação de compra para os papéis.
Segundo a corretora, a tese de investimento segue inalterada e continua baseada na estratégia da empresa de expandir o TotalPass, mesmo em detrimento da rentabilidade no curto prazo.
Na avaliação da Ativa, a prioridade da Smart Fit é ampliar participação de mercado e reduzir a distância em relação ao Wellhub (antigo Gympass), sem foco imediato na expansão das margens.
A corretora destacou que a companhia vem realizando diversos ajustes de preços para entender melhor o comportamento da demanda e otimizar seu posicionamento competitivo, tanto no Brasil quanto no México.
TotalPass continua sendo prioridade
Durante a teleconferência, a administração reforçou que o objetivo do TotalPass é ganhar escala de forma sustentável, sem recorrer a subsídios ou operar com margem de contribuição negativa.
A Ativa ressaltou que a estratégia implica investimentos agressivos em diferentes mercados, buscando consolidar a plataforma como líder no segmento de benefícios corporativos para academias.
Segundo a empresa, o crescimento do TotalPass também tende a aumentar a sazonalidade dos resultados, já que o desempenho dos agregadores costuma ser mais fraco no primeiro e terceiro trimestres, enquanto as academias apresentam comportamento inverso.
Na visão da corretora, esse fator é relevante para a tese de investimento, uma vez que o TotalPass representa uma parcela cada vez maior das receitas da companhia.
Pressão sobre unidades maduras
Outro ponto discutido foi a queda do lucro bruto das academias maduras.
De acordo com a administração, o movimento decorre da maior sazonalidade do negócio, da estratégia de densificação da rede — com alguma canibalização intencional entre unidades —, além dos efeitos da Copa do Mundo, do reajuste salarial no Brasil, da menor utilização de créditos fiscais e da variação cambial nas operações internacionais.
Leia também:
Testes de preços e novo plano
A Smart Fit também informou que realizou testes de reajuste de preços do Plano Black no Brasil e, principalmente, no México.
Segundo a companhia, os aumentos foram implementados em um número limitado de unidades para avaliar a sensibilidade dos consumidores e identificar o nível de preço capaz de maximizar receitas sem comprometer a demanda.
A empresa afirmou ainda que a diferença de preços entre os planos vendidos diretamente ao consumidor e os ofertados pelo TotalPass vem diminuindo, tendência que deve continuar.
Outro destaque foi o lançamento do plano TP2+, com mensalidade de R$ 149. A nova modalidade busca preencher o intervalo entre os planos TP2, de R$ 120, e TP3, de R$ 200, melhorando a distribuição das academias parceiras entre as diferentes categorias.
Competição segue intensa
Na avaliação da Ativa, o ambiente competitivo permanece desafiador, principalmente no segmento de agregadores.
A corretora observa que o Wellhub continua bastante capitalizado e mantém uma estratégia agressiva, com elevados adiantamentos às academias parceiras, financiamento de novas unidades, investimentos em marketing e preços competitivos para clientes corporativos.
Por outro lado, fora do Brasil, onde está cerca de 60% das operações da Smart Fit, a concorrência é considerada menos intensa. Segundo a companhia, algumas redes internacionais enfrentam dificuldades financeiras, enquanto no mercado brasileiro o desequilíbrio entre oferta e demanda continua pressionando academias de menor qualidade.
Expansão e recomendação mantidas
A Smart Fit também informou que espera manter o capex de manutenção próximo de 7% da receita líquida, podendo variar entre 7% e 8% à medida que sua rede amadurece.
A administração reiterou confiança no potencial de expansão em todos os 15 países onde atua e afirmou que não trabalha com metas específicas de densidade de alunos por academia, priorizando a geração de lucro bruto por unidade.
Para a Ativa, os comentários da teleconferência reforçam a estratégia de longo prazo da companhia. Apesar da forte queda das ações no pregão, a corretora manteve a recomendação de compra e preço-alvo de R$ 32 por ação, o que representa potencial de valorização superior a 60% em relação às cotações atuais.






