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Ações da Meta têm potencial de 36%, avalia Safra

Ações da Meta têm potencial de 36%, avalia Safra

Companhia negocia a 17,8 vezes o lucro estimado para 2026, abaixo do S&P 500 e da própria média histórica; Safra projeta crescimento de lucro por ação de 23% ao ano até 2030

O Banco Safra iniciou a cobertura das ações da Meta (META; $M1TA34) com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 835 para o final de 2026, representando potencial de valorização de 36% em relação ao nível atual. A análise é assinada pelos analistas Guilherme Bellizzi Motta e Silvio Dória, que enxergam a companhia como peça central da economia digital global.

Com 3,6 bilhões de usuários diários — equivalente a 52% da população mundial fora da China —, a Meta opera o maior portfólio de plataformas de internet voltadas ao consumidor, reunindo Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger e Threads.

Quatro pilares sustentam a recomendação de compra

A tese de investimento do Safra se apoia em quatro vetores principais. O primeiro é o tamanho do mercado endereçável: a publicidade digital cresce de forma secular à medida que o consumo se digitaliza, tornando o investimento em anúncios online um custo inevitável para quem opera no ambiente digital.

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O segundo pilar é a posição estrutural da companhia.

“A Meta opera o tecido conectivo da economia digital, uma rede de três lados formada por consumidores, criadores e anunciantes, sustentada por um conjunto de modelos preditivos que se beneficia diretamente dos pontos fortes da inteligência artificial”, avaliam Motta e Dória.

O terceiro fator é a IA já gerando retorno. Os analistas destacam que os investimentos em inteligência artificial estão acelerando o crescimento de receita, elevando a produtividade por funcionário e limitando o risco de sobreinvestimento em infraestrutura.

O quarto pilar são as opcionalidades ainda não precificadas pelo mercado, como AR/VR, WhatsApp e Threads sub-monetizados e o Meta Superintelligence Labs.

Valuation abaixo da média histórica

Aos preços atuais, a Meta negocia a 17,8 vezes o lucro estimado para 2026 — abaixo do múltiplo do S&P 500 (22,3 vezes) e da própria média histórica dos últimos cinco anos.

“Ajustado pelas perdas de Reality Labs, que enxergamos como o custo anual de uma opção de compra de longo prazo sobre a próxima plataforma de computação do consumidor, o negócio principal negocia a apenas 14,3 vezes o lucro estimado para 2027”, escrevem os analistas.

O Safra projeta crescimento de receita e lucro por ação a taxas anuais compostas de 21,8% e 23,3%, respectivamente, entre 2025 e 2030.

Riscos regulatórios e de execução no radar

Apesar do otimismo, Motta e Dória elencam uma série de riscos relevantes.

“Ciclicalidade da publicidade, pressão regulatória e antitruste em diversas jurisdições, risco de execução na construção da infraestrutura de IA e disputas pela atenção do usuário estão entre os principais fatores de risco a monitorar”, alertam os analistas.

A concentração de governança nas mãos de Mark Zuckerberg — fundador e controlador desde 2004 — e a dependência dos sistemas iOS e Android também figuram na lista de atenções. Para o Safra, contudo, o histórico de alocação de capital disciplinada e a forte geração de caixa da divisão de aplicativos compensam esses riscos com folga.