A JBS (JBSS32) abriu 2026 com um resultado que ilustra com clareza o peso do ciclo pecuário sobre os negócios da maior processadora de proteínas do mundo.
A companhia registrou receita líquida de US$ 21,6 bilhões no primeiro trimestre — alta de 11% sobre o mesmo período de 2025 e um recorde histórico para o período —, mas o lucro líquido atribuído aos acionistas despencou 56%, para US$ 221 milhões, ante US$ 500 milhões no primeiro tirmestre de 2025. O Ebitda ajustado (IFRS) recuou 26%, para US$ 1,13 bilhão.
Gado e frango nos EUA concentram o impacto
Dois segmentos explicam a maior parte da deterioração nos resultados. A divisão JBS Beef North America, que processa carne bovina nos Estados Unidos, reportou Ebitda ajustado negativo de US$ 267 milhões — piora significativa em relação ao Ebitda também negativo de US$ 100 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.
O problema é estrutural: a escassez de gado no mercado americano, agravada pela restrição às importações mexicanas ao longo do trimestre, manteve os preços do boi vivo em patamar elevado que não foi acompanhado na mesma proporção pelos valores do corte, comprimindo spreads especialmente em janeiro e fevereiro.
A Pilgrim’s Pride, braço de frango da JBS listado separadamente na bolsa americana, também decepciona: o Ebitda ajustado caiu 31,9%, para US$ 450 milhões, com margem recuando de 14,8% para 9,9%.
Paradas programadas de plantas para ajustes operacionais, combinadas a condições climáticas adversas e enfraquecimento de fundamentos no mercado de commodities, explicam a queda. A divisão de frango na Europa manteve estabilidade, enquanto o México expandiu o portfólio de marcas.
Seara e suíno sustentam a diversificação
No lado positivo, a Seara — divisão de aves e processados no Brasil — entregou margem EBITDA de 15,5% no trimestre, com receita crescendo 10,6% para US$ 2,4 bilhões. A unidade manteve momentum tanto no mercado externo, apesar de um ambiente mais desafiador em mercados estratégicos por conta do conflito no Oriente Médio, quanto no doméstico, onde continuou investindo na expansão do portfólio de valor agregado e na capacidade de processamento.
A JBS Brasil bateu recorde de vendas para um primeiro trimestre, com receita de US$ 3,8 bilhões, alta de 19,5%. O crescimento foi impulsionado por demanda global robusta e pela estratégia de diversificação geográfica das exportações.
A alta de 6% no preço médio do boi gordo no Brasil, porém, pressionou margens no mercado doméstico. Já a JBS USA Pork avançou: receita de US$ 2 bilhões, Ebitda de US$ 274 milhões e margem de 13,5% — resultado que reflete a preferência crescente dos consumidores americanos por proteínas mais acessíveis.
Caixa negativo e alavancagem dentro da meta
O primeiro trimestre é sazonalmente o mais exigente em capital de giro para a JBS, pelo padrão de pagamentos a fornecedores de gado e suíno. O fluxo de caixa livre foi negativo em US$ 1,47 bilhão, comparado a -US$ 917 milhões no primeiro trimestre de 2025.
A piora reflete ainda um aumento de cerca de US$ 300 milhões no capex, predominantemente voltado a crescimento. A dívida líquida encerrou o trimestre em US$ 17,9 bilhões, com alavancagem de 2,77 vezes o EBITDA — em linha com a meta de longo prazo da companhia. O prazo médio da dívida proforma é de 15,6 anos, a custo médio de 5,7% ao ano.






