As ações da Braskem (BRKM5) avançavam 1,92%, cotadas a R$ 5,83, por volta das 15h31 desta quinta-feira (30). O papel chegou a cair para aproximadamente R$ 5,67 no início do pregão, mas recuperou as perdas e alcançou R$ 5,94 na máxima do dia.
A valorização ocorre apesar da avaliação cautelosa do Bradesco BBI sobre a situação financeira da petroquímica. Segundo o banco, a Braskem estaria mais próxima de pedir recuperação judicial após não conseguir o apoio necessário para reestruturar suas dívidas fora da Justiça.
Um dos fatores que pode ajudar a explicar a alta das ações é a expectativa de melhora operacional no segundo trimestre. Em outra análise, o BBI projetou Ebitda de US$ 796 milhões para a companhia, ante US$ 192 milhões registrados no primeiro trimestre de 2026.
Dessa forma, o mercado lida com duas perspectivas distintas: a possibilidade de um resultado operacional mais forte no curto prazo e o aumento dos riscos relacionados à estrutura de capital da empresa.
Melhora operacional pode sustentar ações da Braskem
A projeção do Bradesco BBI indica uma recuperação expressiva do resultado operacional da Braskem no segundo trimestre.
O Ebitda estimado de US$ 796 milhões seria mais de quatro vezes superior ao registrado nos primeiros três meses do ano. A melhora deverá ser impulsionada por spreads petroquímicos mais favoráveis e pelo crescimento dos volumes comercializados.
“Para a Braskem, prevemos uma melhora do Ebitda na comparação trimestral para US$ 796 milhões, ante US$ 192 milhões no primeiro trimestre”, aponta o banco.
Essa expectativa pode oferecer suporte às ações no curto prazo, mesmo diante das incertezas financeiras. Uma melhora operacional aumenta a geração de caixa das atividades da empresa, mas não resolve, isoladamente, o impasse com os credores.
A reação positiva também ocorre após a recuperação do papel frente à mínima registrada no começo do pregão. Por isso, a alta intradiária não deve ser interpretada necessariamente como uma mudança estrutural na percepção de risco sobre a companhia.
BBI vê recuperação judicial cada vez mais provável
A avaliação do Bradesco BBI sobre a estrutura financeira da Braskem permanece negativa.
Segundo informações citadas pelo banco, a petroquímica não conseguiu obter o apoio de detentores de pelo menos um terço da dívida que pretende reestruturar. Esse respaldo seria necessário para avançar com uma solução negociada fora da recuperação judicial.
O período de proteção preventiva contra cobranças também estaria próximo do fim, aumentando a pressão para que a companhia encontre uma alternativa.
“A possibilidade de a Braskem entrar com um pedido de recuperação judicial parece aumentar a cada dia. A empresa provavelmente só evitaria esse desfecho por meio de um aporte expressivo de capital, o que, neste momento, parece pouco provável”, avalia o Bradesco BBI.
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Impasse envolve IG4 e Petrobras
O principal obstáculo nas conversas seria a exigência dos detentores dos títulos de dívida por novos empréstimos com garantias e aportes de capital da IG4 e da Petrobras (PETR4).
A IG4 e a Petrobras passaram a dividir o controle da Braskem em junho.
Os controladores, entretanto, entenderiam que não existe mais espaço para ampliar o endividamento da petroquímica. A Petrobras também não pretenderia elevar sua participação devido às possíveis consequências contábeis da consolidação da Braskem em seus resultados.
Diante da ausência de acordo, a recuperação judicial já teria apoio informal dos acionistas e seria considerada o caminho mais provável.






