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Semaglutida abre oportunidade bilionária para Hypera e RD Saúde

Semaglutida abre oportunidade bilionária para Hypera e RD Saúde

Mercado endereçável da semaglutida no Brasil é estimado em R$ 11 bilhões, com potencial de se ampliar com a aprovação dos genéricos e a migração do mercado informal

A aprovação de cinco novas canetas de semaglutida sintética pela Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2 abre uma oportunidade relevante para empresas farmacêuticas e varejistas de saúde no Brasil.

Entre os destaques estão a Hypera (HYPE3), com o lançamento esperado da Semavy em parceria com a Sun Pharma, e a RD Saúde (RADL3), que já detém posição dominante no mercado de GLP-1 no país. O Bank of America estima um mercado endereçável total de R$ 11 bilhões para a semaglutida no varejo.

“A Anvisa aprovou cinco novas canetas de semaglutida sintética para diabetes tipo 2, elevando o total para seis aprovações. Das quatro registradas pela Hypera e Sun Pharma, apenas a Semavy deve chegar ao mercado por ora”, afirmam Robert E. Ford Aguilar, Melissa Byun e Wellington Santana, analistas do Bank of America.

Semavy pode adicionar até 9% à receita da Hypera

O Bank of America estima que a Semavy deve ser precificada em linha com a Ozivy, da EMS — primeira a chegar ao mercado —, com desconto de aproximadamente 60% em relação ao Ozempic, da Novo Nordisk. Caso a Hypera capture 10% do mercado de semaglutida — em linha com suas médias gerais —, o produto adicionaria cerca de 9% à receita da companhia.

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“Como uma das primeiras a se mover, a participação inicial da Hypera pode ser maior, mas também pode se normalizar com a entrada de novos concorrentes ao longo do tempo”, ressaltam os analistas.

O mercado brasileiro tem mais de 15 milhões de pessoas com diabetes tipo 2, e mais de 60% dos adultos — cerca de 97 milhões de pessoas — atendem aos critérios de IMC para sobrepeso ou obesidade, incluindo 40 milhões com obesidade.

O Bank of America estima um mercado potencial de 7 milhões de usuários, com tempo médio de tratamento de 5,6 meses e custo de R$ 312 por caixa, chegando ao TAM de R$ 11 bilhões.

RD Saúde em posição privilegiada

A RD Saúde já ocupa posição de destaque no mercado de GLP-1, com participação estimada em cerca de 35% das vendas da categoria no varejo farmacêutico. Essa vantagem é sustentada pelo alto preço dos produtos, pela presença digital robusta e pela infraestrutura de cadeia fria.

Os novos lançamentos devem melhorar a disponibilidade e reacender o crescimento da categoria, que parece estar se estabilizando em torno de 12% ou mais das vendas da RD Saúde.

“Os lançamentos de GLP-1 podem impulsionar o crescimento da RD Saúde, enquanto o aumento na adoção deve deslocar gastos para alimentos frescos, suplementos, cuidados com o cabelo e vestuário esportivo”, destacam Ford Aguilar, Byun e Santana.

As margens brutas das novas marcas devem ser semelhantes às das referências, em torno de 15% a 17%. No entanto, à medida que mais players entrem no mercado, as margens do varejo podem convergir para os patamares dos genéricos tradicionais, em torno de 45%.

Efeitos além da farmácia

O impacto da adoção em massa dos GLP-1 deve se estender muito além do setor farmacêutico. Pesquisa da PwC nos Estados Unidos identificou efeitos amplos no consumo à medida que os usuários perdem peso: os gastos com vestuário cresceram 9,9% após seis a oito meses de uso, enquanto os gastos com joias avançaram 36,4%.

No Brasil, setores como alimentos frescos, suplementos proteicos e academias de ginástica também devem se beneficiar, uma vez que usuários de GLP-1 tendem a incorporar exercícios de força para preservar massa muscular durante o emagrecimento.