As ações da Vale (VALE3) acumulam uma das altas mais expressivas entre as grandes mineradoras globais — 80% nos últimos doze meses. A pergunta que o mercado agora se faz é inevitável: ainda há espaço para subir, ou o papel já precificou o melhor cenário possível?
Para os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, da XP Investimentos, a resposta é incômoda: a Vale segue mais barata que os pares, mas o upside adicional é limitado.
A virada na narrativa da Vale começa pelo cobre.
“Vemos a tese de cobre da Vale como mais tangível, com produção crescente e projeções de preço mais saudáveis ajudando a compensar a percepção de um ambiente estruturalmente mais fraco para minério de ferro”, apontam os analistas.
Esse reposicionamento se reflete diretamente no modelo de valuation da XP: o preço-alvo via DCF (Fluxo de Caixa Descontado) de US$ 16,50 por ADR para o fim de 2026 implica um múltiplo valor da empresa sobre o Ebitda (EV/Ebitda) de 8,2 vezes para a divisão de Metais Base, contra apenas 4,9 vezes para o segmento de minério de ferro — uma diferença que revela onde o mercado enxerga valor e onde enxerga risco.
Minério de ferro: peso estrutural
Do outro lado da equação, o minério segue como fator de contenção.
“Os preços de minério de ferro devem recuar de cerca de US$ 100 por tonelada em 2026 para US$ 90 a partir de 2028”, projetam Laghi, Nippes e Urbano.
O cenário de curto prazo também não anima: estoques elevados na China, menor momentum da demanda de aço e um sentimento atrasado em relação ao movimento de outros metais formam um pano de fundo adverso. Estruturalmente, nova oferta greenfield e o ciclo declinante do aço na China mantêm a perspectiva de longo prazo contida.
O valuation reflete essa tensão.
“Embora a Vale siga mais barata versus pares, com FCF yield (rendimento de Fluxo de Caixa Livre) de 7,2% em 2026 contra 4% a 5% dos concorrentes, vemos os yields absolutos como pouco empolgantes”, concluem os analistas.
O preço-alvo de US$ 16,50 implica apenas 3% de upside a partir dos níveis atuais — insuficiente para justificar uma recomendação de compra, na visão da XP. A recomendação permanece Neutra. O momentum é favorável, o cobre é promissor — mas o rali já capturou boa parte da história.
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