A Natura (NATU3) apresentou resultados que reforçam os sinais de avanço em seu processo de reestruturação, com melhora relevante na rentabilidade, mesmo diante de um cenário ainda desafiador para o crescimento da receita. Após trimestres sequenciais mais fracos, a companhia mostrou evolução operacional sustentada pela simplificação dos negócios e maior disciplina de custos.
Segundo os analistas da Ativa, “o desempenho veio em linha com nossas expectativas, com avanços importantes na execução do turnaround, especialmente na diluição de despesas operacionais e rentabilidade”. Eles reiteram a recomendação de compra, citando que o mercado deve reagir positivamente ao resultado.
No trimestre, a receita consolidada somou R$ 6,2 bilhões, em linha com as estimativas, com destaque para o desempenho positivo do varejo físico. Por outro lado, os canais digital e de venda direta continuaram pressionados, refletindo desafios de execução e mudanças na dinâmica comercial.
A margem bruta atingiu 64,5%, com avanço de 1,2 ponto percentual na comparação anual, embora abaixo do esperado. Já a margem Ebitda cresceu de forma mais expressiva, avançando 6,9 pontos percentuais, para 15,8%, impulsionada principalmente pela diluição de despesas operacionais (SG&A).
O lucro líquido das operações continuadas foi de R$ 186 milhões, em linha com as estimativas, já considerando provisões sem efeito caixa relacionadas à venda da The Body Shop.
Natura enfrenta pressão em receita, mas avança na eficiência operacional
No Brasil, a operação da Natura registrou queda de 2,2% na receita na comparação anual, impactada por uma base mais forte e pela menor produtividade das consultoras. A companhia implementou ajustes em incentivos comerciais, buscando recuperação ao longo de 2026.
Na operação hispânica, houve crescimento de 6,7% em moeda constante, mas retração de 13,6% em reais, refletindo principalmente os efeitos cambiais e o desempenho mais fraco na Argentina.
A marca Avon seguiu como ponto de atenção. No Brasil, a receita recuou 11,5%, ainda pressionada por limitações no portfólio de novos produtos, embora com melhora em relação aos trimestres anteriores.
Na operação hispânica, a Avon registrou queda de 14,7% em moeda constante e de 36,3% em reais, impactada tanto pelo câmbio quanto pela implementação da chamada “Onda 2”, especialmente na Argentina.
Entre os canais, o desempenho foi desigual. No Brasil, a venda direta caiu 10,1%, enquanto o digital avançou 24,5%, impulsionado por iniciativas para aumento de tráfego. O varejo físico também teve bom desempenho, com crescimento de 12,9% e vendas mesmas lojas (SSS) positivas.
Já na operação hispânica, a venda direta recuou 23,2% e o digital caiu 14,4%, afetados pela reestruturação e pelo câmbio. Em contrapartida, o varejo cresceu 28%, apoiado na expansão da rede e no bom desempenho das lojas maduras.
Segundo a Ativa, “o avanço das margens consolida os sinais de execução consistente do plano de turnaround, mesmo com desafios para retomar o crescimento da receita”. Os analistas destacam que a companhia vem conseguindo equilibrar crescimento e rentabilidade, mantendo foco em eficiência operacional.






