Operar no Tesouro Direto pode ser muitas vezes desafiador, ainda mais em um ambiente de incertezas geopolíticas, juros altos (com perspectiva de baixa) e inflação ainda níveis elevados.
Pensando nisso, o Banco Safra montou uma estratégia tática para ter ganhos de curto prazo e oportunidades de longo prazo.
“Na análise de retorno, as NTN-Bs apresentam carrego atrativo, especialmente nos vértices intermediários, enquanto as LTNs mostram oportunidades táticas nos prazos curtos e potenciais ganhos nos prazos mais longos após recente abertura das taxas prefixadas”, opinaram os analistas Yuri Machado e Roberto Pasqualini.
Importante o investidor ficar de olho nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que definem as taxas de juros. A primeira do ano será entre os dias 27 e 28 deste mês.
O boletim Focus, divulgado no início da semana, mostrou que que a projeção média para a taxa Selic ao fim de 2026 foi mantida em 12,25%, mantendo o patamar da semana anterior. Para o ano que vem, a expectativa também seguiu em 10,50%, sem revisões nesta edição do relatório.
Prioridade para os títulos NTN-B
Desse modo, a recomendação do Safra é priorizar os títulos NTN-Bs com vencimentos intermediários, entre 2029 e 2033, pela melhor relação risco-retorno e proteção inflacionária, evitando vértices muito curtos ou excessivamente longos – voltado para perfis mais resilientes à volatilidade de mercado.
“Favorecemos NTN-Bs com vencimentos intermediários (entre 2029 e 2033), que apresentam melhor equilíbrio entre retorno esperado, sensibilidade a juros e estabilidade de marcação a mercado. Vértices muito curtos seguem penalizados pela inversão da curva real, enquanto posições excessivamente longas carregam maior volatilidade e dependem de melhora mais significativa do cenário fiscal para materialização de ganhos adicionais”, ressalta trecho do relatório.

Com esse cenário de inflação convergente, juro real ainda elevado em termos históricos e ambiente fiscal ruidoso, o banco de investimentos avalia que a estratégia mais eficiente no atual momento é buscar uma alocação priorizada nas NTN-Bs nos vértices intermediários. Eles oferecem uma proteção inflacionária, carrego elevado e menor dependência de um fechamento estrutural adicional da curva.
Posições em LTNs
Já para as LTNs, a recomendação do Safra é manter posições no curto prazo – em até dois anos – e avaliar entradas em prazos acima de três anos para aproveitar esse carrego considerado atrativo.

“Em nosso relatório de estratégia publicado em dez/25, defendemos alocação tática em LTN nos vértices intermediários (2 e 3 anos), dada a configuração de Selic nas máximas e inflação corrente convergindo que favoreceram o prêmio nesses vértices. Em dezembro, observou-se abertura das taxas prefixadas, movimento que refletiu vetores distintos ao longo da curva”, completa o Safra.
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