Os fundos de pensão, que desempenham um papel relevante como investidores de longo prazo nas empresas globalmente, têm reduzido, ano após ano, sua alocação em renda variável no Brasil. Com os juros reais de longo prazo elevados e superando com folga as metas atuariais de muitas dessas fundações, a exposição desses investidores em ações atingiu níveis historicamente baixos em junho, conforme os dados mais recentes da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), divulgados nesta quarta-feira (16) pelo jornal Valor Econômico.
Em junho de 2024, a participação dos fundos de previdência fechados em renda variável caiu para 10,4%, o menor valor da série histórica compilada pela Abrapp, iniciada em 2006. Em 2009, esse percentual chegou ao pico de 33,3%, mas vem caindo desde então.
Isso acontece porque, com as taxas de juros reais de longo prazo, medidas pelas NTN-Bs (títulos atrelados à inflação), acima de 6,5%, há pouca disposição para assumir mais riscos na carteira. Segundo a Abrapp, a média das metas atuariais dos seus associados, que define a rentabilidade necessária para garantir o equilíbrio financeiro e o pagamento futuro das aposentadorias, é de cerca de 4,5% mais o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Fundos de pensão: exemplo concreto da competição entre renda fixa e variável
Felipe Reis, estrategista de ações da EQI Research, aponta que os fundos de pensão são os fundos abertos ou fechados que têm contribuição dos funcionários das empresas para aposentadoria. São alocadores de recursos relevantes no país, com visão de longo prazo.
“Eles não têm tido muito incentivo para manter dinheiro em bolsa, porque os juros estão altos. Se a renda fixa oferece uma remuneração que bate a meta atuarial, sem tantos riscos, fica muito difícil para renda variável”, aponta. “É mais um exemplo concreto da competição que acontece hoje da renda fixa com a renda variável”, complementa. “Ou seja, a nossa bolsa não sobe enquanto não tivermos aportes estrangeiros”, conclui.
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