O Ibovespa reagiu com força ao resultado do primeiro turno das eleições, mas a EQI Research vê nas Small Caps uma oportunidade de aproveitar com mais intensidade a melhora das perspectivas para a economia brasileira. A preferência pelas empresas de menor capitalização está ligada à expectativa de que uma alternância de governo favoreça o ajuste fiscal e abra espaço para juros menores.
No relatório de Ideias de Trade, divulgado nesta terça-feira (13), Nícolas Merola, analista da EQI Research, explica por que a alta recente da Bolsa ainda deixa espaço para uma comparação entre os dois grupos de ações. O ponto central é quanto cada um pode se beneficiar caso esse cenário mais favorável se consolide.
O efeito dos juros
Segundo Merola, a falta de perspectiva de um ajuste fiscal crível vinha sendo um dos principais fatores a sustentar juros elevados no Brasil. Após o primeiro turno, a revisão das expectativas levou a uma queda superior a um ponto percentual na curva de juros, registra o relatório.
Para a EQI Research, essa mudança tem efeitos diferentes sobre as empresas. As Small Caps sofreram mais durante o período prolongado de taxas elevadas e, justamente por essa sensibilidade, podem responder com mais intensidade a uma queda dos juros.
Isso ajuda a explicar a preferência da casa: a mesma característica que tornou essas companhias mais vulneráveis ao cenário anterior pode ampliar seu espaço de valorização em um ambiente econômico mais favorável.
Descontos ainda persistem
A análise também chama atenção para a distância entre os preços das Small Caps e os do Ibovespa. Na avaliação de Merola, o entusiasmo recente do mercado ainda não foi suficiente para eliminar uma diferença construída ao longo de anos.
“A discrepância de preços criada entre as Small Caps e o Ibovespa é histórica e, mesmo com essa forte reação na Bolsa ao longo da última semana, está longe de ter se normalizado. Essa é a herança de um ciclo prolongado pelo qual passamos, com juros altos e economia privada fragilizada, e que, num cenário mais construtivo para os mercados, tende a se reverter”, afirma Merola.
A comparação considera a relação entre os preços das ações e os lucros esperados. Segundo a EQI Research, os dois índices ainda negociam abaixo de suas referências históricas, mas apresentam espaços diferentes para uma eventual normalização — uma distinção importante para avaliar onde pode estar a oportunidade.
O risco fiscal
A preferência pelas Small Caps depende, entretanto, da continuidade da melhora nas condições financeiras. A perspectiva de mudança de governo pode alterar as expectativas do mercado, mas a implementação de medidas fiscais permanece como um desafio.
“Mesmo com a alternância de poder, as medidas necessárias para que o ajuste fiscal seja feito são impopulares e difíceis de aprovar. Por isso, adianto que, devido à sensibilidade que esse trade tem em relação à curva de juros, acredito que esse seja o principal risco da operação”, alerta Merola.
Por isso, a leitura da EQI Research combina a oportunidade de valorização com a necessidade de acompanhar os juros e os avanços efetivos na agenda fiscal.
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Qual é o tamanho da diferença de potencial entre Small Caps e Ibovespa? E como essa leitura se traduz na operação proposta pela EQI Research?
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