O banco Safra divulgou seu relatório de investimentos em ativos de renda fixa para junho com duas alterações, ligados aos títulos ligados ao IPCA+ para o mês. Entram ativos ligados ao Neoenergia (2040), Santos Brasil (2034) e saem Hypera (2029), Eldorado (2040).
O banco de investimentos calcula um rendimento anual projetado de 98% do CDI (cotação 2 de junho) e uma duration média de 4,8 anos. Considerando a isenção de Imposto de Renda, o retorno médio estimado fica em 115% do CDI. A exposição setorial é ligada a locação de veículos, farmacêutico, rodovias, geração/transmissão de energia e papel e celulose.
Dos cinco títulos incluídos no relatório do Safra, quatro são de debêntures e apenas um de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), cuja emissão foi feita em favor da Armac (ARML3).
Já as debêntures, foram emitidas pela Neoenergia (NEOE3), Ecorodovias (ECOR3), Eletrosul – Axia (AXIA3) e Santos Brasil (STBP3).

Cenário macroeconômico
Segundo o relatório do Safra, a economia brasileira iniciou 2026 com crescimento acima do esperado, sustentada principalmente pela força da demanda doméstica. Ao mesmo tempo, sinais de pressão inflacionária e a retomada da alta do desemprego reforçam um cenário que exige cautela dos investidores.
De acordo com o banco, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,1% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, impulsionado pela recuperação da absorção interna e por medidas de estímulo à renda da população.
Entre os fatores que contribuíram para o desempenho da atividade econômica estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas, o aumento do salário mínimo, a expansão dos gastos do governo e a importação de uma plataforma de petróleo.
O crescimento foi disseminado entre os principais setores da economia. A agropecuária avançou 2%, a indústria registrou expansão de 1% e o setor de serviços cresceu 0,5% no período.
Apesar do resultado positivo, o Safra destaca que o desempenho do agronegócio ainda depende das condições climáticas nos próximos meses. A influência do fenômeno El Niño pode trazer incertezas para a produção agrícola no segundo semestre, afetando uma das principais alavancas de crescimento do país.
Inflação segue como principal preocupação
Se a atividade econômica continua resiliente, a inflação permanece como um dos principais desafios para o cenário macroeconômico.
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, avançou 0,62% em maio. Embora o resultado tenha desacelerado em relação ao mês anterior, o indicador continua pressionado por aumentos em itens essenciais ao consumidor.
Os maiores impactos vieram dos grupos de alimentos e bebidas, que subiram 1,38%, e habitação, com alta de 1,03%. Entre os produtos que mais pressionaram os preços estão carnes, leite longa vida, itens de higiene pessoal e a conta de energia elétrica, influenciada pela adoção da bandeira tarifária amarela.
Em sentido contrário, o grupo de transportes ajudou a conter parte da inflação, registrando queda de 0,33%.
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 atingiu 4,64%, acima dos 4,37% observados no período imediatamente anterior. Para o Safra, o dado reforça a percepção de que os núcleos de inflação continuam em patamar elevado e que ainda há incertezas sobre os efeitos do recente choque nos preços internacionais do petróleo.






