Fundos de Investimento
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Quando e por que se desfazer de uma posição em FIIs?

Quando e por que se desfazer de uma posição em FIIs?

Vanessa Araujo

Vanessa Araujo

08 Jun 2022 às 14:28 · Última atualização: 08 Jun 2022 · 7 min leitura

Vanessa Araujo

08 Jun 2022 às 14:28 · 7 min leitura
Última atualização: 08 Jun 2022

Quando sair de FIIs

Reprodução Pixabay

Você sabe quando e por que se desfazer de uma posição em FIIs (fundos de investimento imobiliário)? Todo investidor deve acompanhar os ciclos de expansão e contração da economia para avaliar as posições de sua carteira. 

Isso garante que seja feito um rebalanceamento em cada fase, capaz de dividir, de forma ideal, os ativos entre os mercados que podem crescer significativamente frente a outro.

Diante do cenário atual de alta dos juros, que deve durar o ano de 2022 e boa parte de 2023, é possível encontrar boas oportunidades nos FIIs? Ou chegou a hora de se desfazer das posições?

Entenda a avaliação dos especialistas da EQI. 

Quando se desfazer de uma posição em FIIs? Quando manter ou não um ativo?

Em resumo, para investir melhor, a premissa básica do investidor deve ser conhecer sua estratégia e seu perfil. Mas, ele deve ir além, entendendo como as economias se movem ao redor do globo. 

Os Banco Centrais atuam em uma rotina de ciclos econômicos – ora estimulando, ora desacelerando o crescimento. 

“O ciclo econômico é exatamente esse sobe e desce que a economia faz. Os BCs ‘imprimem’ dinheiro, aumentam a liquidez, com redução dos juros. E, depois, são obrigados a fazer exatamente o oposto, para conter a inflação, matando a atividade econômica por um certo tempo. 

Posterior a essa fase, começa, então, um novo ciclo de estímulo”, observa Denys Wiese, Head de Renda Fixa da EQI Investimentos. 

Final do ciclo econômico para Brasil e EUA

Com relação à fase do ciclo econômico, o Brasil, atualmente, está para entrar em um momento de recessão, que será seguido de um novo estímulo na economia. 

Isso deve se dar pela troca da sequência de altas nos juros, por quedas consecutivas –  começando a partir de 2023, apontam os analistas.

Já os EUA – maior economia global – ainda estão finalizando a fase expansionista, iniciando agora um movimento de subida de juros, com contração da atividade, e já com outros aumentos previstos pelo Fed.

Os juros e os investimentos 

O Head de Renda Fixa explica a dinâmica dos juros e os melhores ativos para cada etapa:

Queda de juros

“Quando estamos iniciando a fase de queda dos juros, o certo é pré-fixar as taxas, para aproveitá-las antes que os juros caiam. No mercado de ações, deve-se investir em ações de crescimento (growth)”.

Meio do ciclo – juros ainda baixos

“Nesta fase é indicado comprar os pós-fixados e continuar com as ações growth”. 

Início da subida de juros 

“Nesta fase é importante se posicionar em juros pós-fixados e ações de valor (empresas mais estabilizadas)”. 

Queda dos juros

“Neste cenário, é recomendado voltar para os pré-fixados, IPCA+ e comprar ações de valor”. 

Fundos Imobiliários: o que observar em 2022?

Conforme a análise dos especialistas de mercado da EQI, à primeira vista, as perspectivas para os Fundos Imobiliários em 2022 e 2023 são estáveis, com poucas chances de grande valorização.

Isso porque em um cenário contracionista de escalada da Selic, os FIIs acabam competindo diretamente com a renda fixa, que passa a atrair o capital dos investidores, que buscam maiores rentabilidades, sem a oscilação típica da renda variável. 

Contudo, a atratividade dos FIIs se sustenta para os investidores que pensam em horizonte de médio a longo prazo, com perspectivas de bons dividendos.

“Isso ocorre devido ao fato dos contratos imobiliários estarem atrelados a índices inflacionários como IGPM e IPCA”, explica Elias Wiggers, Assessor da EQI Investimentos.

Existe janela para compra dos FIIs?

O especialista explica que, sim, há janela para compra, contudo orienta que é preciso analisar, pontualmente, uma série de outros fatores como localização, inquilinos, etc.. 

“Além disso, também é preciso observar a expectativa de uma retomada econômica e o arrefecimento das pressões inflacionárias, entre outros pontos”, observa.

Quando fazer o rebalanceamento da carteira em FIIs?

Analistas de mercado da EQI Asset apontam que fazer o rebalanceamento de tempos em tempos é essencial para encontrar as melhores oportunidades e ajustar a posição dos Fundos na carteira dos investidores.

O Assessor de Investimento da EQI, Elias Wiggers, concorda que esta é a melhor estratégia para manter os ativos equilibrados e define um horizonte para essa avaliação. 

“O rebalanceamento de uma carteira de Fundos Imobiliários deve ser feito, pelo menos, a cada 3 meses e, no máximo, a cada 6 meses, ou quando houver alguma situação muito fora do comum. A situação dos imóveis, diferentemente das empresas, não é tão volátil. Essa previsibilidade se reflete em estabilidade na cota dos Fundos Imobiliários”, observa.

Quando se desfazer de uma posição de FIIs?

Os especialistas da EQI Asset defendem que não existe uma regra de bolso para desmontar uma carteira. 

Mas, sim, recomendam o acompanhamento de alguns indícios que ajudam a decidir sobre vender uma posição, tais como:

  • Troca da gestão responsável pelo Fundo;
  • Oscilações relevantes nos dividendos sem justificativa;
  • Piora na qualidade dos ativos do Fundo.

Essas informações, segundo os especialistas, podem ser acompanhadas nos avisos ao mercado, que são feitos pelo administrador do Fundo.  

Na observação de Elias Wiggers, considerando o cenário atual de inflação e alta da Selic, é preciso ponderar, pontualmente, a real necessidade de sair das posições.

“Talvez, não seja preciso se desfazer,  mas sim, diminuir a exposição em momentos onde há ciclos de alta dos juros. O momento atual, especificamente, é bastante crítico, porque estávamos saindo de uma crise. Além disso, os juros estão subindo por conta de um problema global”, esclarece.

Sair ou manter: o que fazer agora?

“Pensando em ciclos econômicos, sempre que houver um ciclo contracionista, ou seja, juros altos segurando o dinheiro em circulação, há uma tendência natural dos Fundos Imobiliários perderem valor, porque a renda fixa começa a ficar mais atrativa. 

Nesses ciclos contracionistas, vale a pena rebalancear a carteira e diminuir a exposição aos Fundos Imobiliários. 

No entanto é preciso considerar que no longo prazo, a situação ganha um novo contorno, com perspectivas de bons dividendos”, finaliza Elias Wiggers.

(Por Vanessa Araujo)

FII Summit

FII Summit, maior evento da América Latina sobre fundos imobiliários (FIIs) começou hoje (1) e segue até sexta-feira (3). Você tem a chance de aprender com os maiores estrategistas do setor e ter acesso aos melhores insights para o atual momento dos FIIs.

Quer saber tudo o que rolou no primeiro dia? Acompanhe com a gente!

BTG Talks
newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias