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Projeção para o dólar: mesmo com alta, ainda há janela, apontam especialistas

Projeção para o dólar: mesmo com alta, ainda há janela, apontam especialistas

Claudia Zucare

Claudia Zucare

14 Jun 2022 às 15:34 · Última atualização: 14 Jun 2022 · 10 min leitura

Claudia Zucare

14 Jun 2022 às 15:34 · 10 min leitura
Última atualização: 14 Jun 2022

foto de dólares

Reprodução/Pixabay

Para onde vai o dólar é a pergunta para a qual todos querem resposta: do investidor interessado em janelas para internacionalizar investimentos, passando pelo importador e exportador, até o viajante ansioso pelas férias internacionais.

No entanto, opinar sobre a projeção para o dólar é sempre delicado. Afinal, são muitas as variáveis que impactam o preço de uma moeda em relação a outra.

Para saber o que afirmam os especialistas para o cenário atual, siga na leitura!

Projeções para o dólar

Segundo o BTG Pactual (BPAC11), a expectativa para o dólar em 2022 é que ele fique em R$ 4,80, no cenário-base, mas podendo variar entre R$ 4,65 e R$ 5,25 nos cenários otimista e pessimista, respectivamente.

Reprodução/BTG

Já Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da EQI Investimentos, é menos “otimista”.Para ele, o cenário-base vai de R$ 5,20 a R$ 5,50. E o pessimista, acima de R$ 6.

Ele explica que, diante da alta de juros global e da possibilidade de recessão nos EUA, o câmbio se encontra muito mais perto de R$ 5,50 e R$ 6.

“A inflação está pesando muito lá fora, muito mais do que no Brasil. O mercado americano segue entregando inflação acima do estimado mês a mês e o banco central americano vai ter que subir mais os juros, não tem jeito, nem que seja para dar um recado mais forte ao mercado”, avalia.

“A inflação nos EUA é a pior dos últimos 40 anos e isso puxa o dólar para cima no mundo todo”, complementa.

Ele acredita que o cenário que se desenha nos EUA é mesmo de recessão, o que deve acontecer, mesmo que por período não tão prolongado.

A recessão acontece quando o ciclo econômico de um país entra em fase de encolhimento, que é o que se espera que aconteça nos EUA. Vale lembrar que a subida de juros impacta diretamente a produção do país e o cenário de emprego, já que as empresas dependem de empréstimos para expandir seus negócios.

E o Brasil? Carrego tende a diminuir

Já no cenário brasileiro, a expectativa é que os juros subam ainda por duas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) – desta quarta-feira (15) e de 3 de agosto.

A Selic final deve ser de 13,75% ao ano, enquanto, nos EUA, é aguardado juros entre 3% e 3,5% ao ano até dezembro.

“Por mais que a Selic tenda a subir ainda um pouco, a quantidade de altas que vamos ter será menor do que as que o Fed terá que fazer, neste e no próximo ano”, aponta Viotto.

Com isso, ele diz, o que se tem é a redução do carry trade, ou custo de carrego, que é a diferença de juros entre os países.

Em outras palavras, a estratégia de muitos investidores estrangeiros para ganho com diferencial de juros deve perder atratividade e pressionar o câmbio, via migração de capital para os EUA, após as movimentações esperadas do banco central americano.

Lembrando que a renda fixa por lá é considerada a mais segura do mundo, o que explica a retirada dos recursos de países emergentes, como o Brasil.

Cenário no exterior

Nos EUA, crescem as apostas de que a subida de juros nesta Super Quarta (15) seja de 0,75%.

Isso depois do CPI (índice de preços ao consumidor) ter vindo pior do que a projeção (subiu 1%, ante 0,3% de abril e consenso de 0,7%).

A opinião predominante era de alta de 0,5%, com aceleração nas próximas reuniões ou prolongamento do ciclo de alta. Isto até esta segunda-feira (15), quando a inflação pesou no humor lá fora.  

A expectativa de “soft landing”, pouso suave da economia, com queda da inflação sem que a economia americana entre em recessão, segue sendo base, afirma Luís Moran, head da EQI Research. Mas o “hard landing” ganha corpo, enquanto crescem os temores de recessão.

O BTG confirma que, desta forma, o cenário fica desfavorável para os emergentes.

“Projetamos uma taxa de juro dos EUA de 3,125% no final deste ano. O Fomc deve revisar expressivamente o cenário de inflação e juros na reunião de junho. Entendemos que a comunicação pode se tornar mais hawkish à medida que novos dados de inflação sejam apresentados, tornando o quadro mais adverso para o real”, afirma o relatório.

Cenário interno: risco fiscal pesa

Internamente, a inflação segue como principal preocupação, ultrapassando a discussão de política monetária para adentrar ao território de intervenção via política fiscal.

O risco fiscal volta ao noticiário na figura dos projetos que visam reduzir o impacto inflacionário neste ano (via PEC do teto do ICMS), além do tema do reajuste salarial dos servidores.

“A deterioração da percepção sobre o quadro fiscal, pesa negativamente sobre o real”, alerta o BTG.

O banco espera que ocorra uma desvalorização do real devido ao aperto da política monetária do Federal Reserve ao longo dos próximos meses. Depois, o real tende a se valorizar novamente devido à redução da incerteza eleitoral (após outubro) e do elevado superávit comercial.

Sobre a taxa Selic, taxa básica de juros do Brasil, o BTG acredita que é grande a chance de haver mais uma elevação além da estimativa para junho (de 50 bps, para 13,25%), com um ajuste adicional de 50 bps em agosto.

A EQI Asset, gestora da EQI Investimentos, também mantém a projeção de Selic final a 13,75%.

Hora de internacionalizar investimentos

Independente do momento econômico e/ou político, é recomendado que o investidor sempre mantenha parte de seus ativos em moeda forte.

“Como vivemos em um país emergente, o ideal é termos, pelo menos, 20% dos nossos investimentos lá fora para nos proteger da volatilidade natural do nosso mercado.”, observa o head da EQI Internacional, Gustavo Strauch.

“Não existe um momento certo. Muitas pessoas tomam decisões com base em gatilhos de desespero ou de incentivos de curto prazo”, avalia.

O correto, ele diz, é ir aumentando o portfólio a cada boa janela encontrada, sempre buscando a diversificação e a orientação de empresas capacitadas para tanto.

“Hoje existem empresas que foram construídas especificamente para conectar brasileiros a investimentos lá fora de forma simples e amistosa. Uma delas é a Avenue, que tem feito a ponte para que o cliente entenda como funciona o mercado americano. Este ainda é um mercado novo, que está passando por uma curva de conhecimento, mas a velocidade de aprendizado está sendo rápida”, afirma.

Vantagens de investir em dólar

No atual cenário, a recomendação é que o investidor se proteja investindo em dólar.

Além da valorização do câmbio, investindo em dólar, também se ganha com diversificação e proteção a choques – sejam os internacionais, como a pandemia, ou os muitos ruídos políticos.

O fator proteção vem do fato de que os investidores de todo o mundo enxergam o dólar como um dos ativos mais seguros do mundo. Por isso, quando uma crise derruba todos os mercados, como no caso do coronavírus, o dólar tende a se valorizar.

Mas é preciso lembrar: os ativos atrelados ao dólar devem corresponder a uma pequena parcela da carteira de investimentos. Não é recomendado colocar “todos os ovos na mesma cesta”.

Para diversificar e se expor ao dólar, há as seguintes possibilidades de investimentos:

COE

O Certificado de Operações Estruturadas é uma versão brasileira das chamadas Notas Estruturadas, bastante populares nos Estados Unidos. É um tipo de aplicação que une a segurança da renda fixa com a rentabilidade da renda variável.

Ele é indicado para quem está começando a investir no exterior e ainda está receoso a respeito. E tem uma vantagem muito interessante: a maioria dos COE têm capital protegido. Isto quer dizer que o investidor recebe de volta todo o valor investido, mesmo que ocorra uma perda no investimento.

O COE pode estar atrelado a ações nacionais e estrangeiras, índices da bolsa brasileira e das bolsas americanas. E também a taxas de juros, commodities, e moedas. E a combinação destes ativos garante segurança, ao mesmo tempo em que busca mais lucratividade.

Fundos de investimento

Também indicado para os investidores menos experientes no mercado externo. Os fundos de investimento internacional trazem a vantagem de contar com gestores que acompanham e definem as melhores opções. Você pode optar por fundos de ações, mais agressivos, ou fundos multimercado, que são mais seguros por diversificar os investimentos.

ETFs

Também é possível investir, a partir do Brasil, em fundos de índice (ETFs) que replicam ativos internacionais.

Os ETFs ( Exchange Traded Funds) são fundos de investimento constituídos com o objetivo de investir em uma carteira de ações que busca replicar a carteira e a rentabilidade de um determinado índice de referência (índice subjacente).

BDRs

O Brazilian Depositary Receipt (BDR), ou certificado de depósito de valores mobiliários, permite investir diretamente em empresas norte-americanas.

Desde outubro de 2020, os BDRs estão disponíveis na bolsa brasileira para todo investidor interessado. Até então, eles eram reservados apenas para investidores qualificados, ou seja, aqueles com mais de R$ 1 milhão em investimentos.

A vantagem é que, ao adquirir um BDR, o investidor passa a deter, indiretamente, papéis da companhia com sede em outro país. Sem que para isso tenha que realizar os trâmites de um investimento internacional.

Dólar Futuro

É importante destacar que esta forma de investimento é de alto risco e exige maior preparo do investidor.

O investidor pode assumir uma posição de compra ou de venda do contrato futuro da moeda. Quem assume a posição comprada do contrato, ganha com a alta do dólar e perde com a queda. Se a posição for de venda, o investidor ganha com a queda do dólar e perde com a alta.

Esta negociação ocorre na B3 e exige que o investidor tenha uma conta em uma corretora de valores para operar. Trata-se de um mercado muito volátil e de alta liquidez.

No mercado de dólar futuro, pode-se operar de forma alavancada. Isso significa que com um montante pequeno de dinheiro é possível movimentar grandes quantias. Ou seja, é possível ganhar muito mais do que o valor investido, mas o tombo também pode ser grande.

Para saber mais como investir no exterior, clique aqui e fale com um de nossos assessores.

Quer saber mais sobre projeção para o dólar e investimentos? Então, preencha o formulário que um assessora da EQI Investimentos entrará em contato.

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