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NFTs: Como tudo começou

NFTs: Como tudo começou

Helena Margarido

Helena Margarido

05 Ago 2022 às 15:06 · Última atualização: 05 Ago 2022 · 5 min leitura

Helena Margarido

05 Ago 2022 às 15:06 · 5 min leitura
Última atualização: 05 Ago 2022

Origem do NFT

Pixabay

O conceito de tokens únicos nasceu com as chamadas “moedas coloridas” (colored coins) em 2012. Armazenadas na blockchain do Bitcoin, as colored coins ofereciam uma maneira de representar digitalmente a propriedade de ativos únicos do mundo real.

Com objetivo de conectar tecnologias inovadoras com a arte, em 2014 foi criado, durante um evento no Museu de Arte Contemporânea em Nova York, aquele que parece ter sido o primeiro NFT. Os criadores eram o artista Kevin McCoy e o empreendedor Anil Dash.

Na ocasião, eles fizeram com que um videoclipe criado pela esposa de McCoy fosse representado por um NFT, criado na blockchain da Namecoin.

O foco dessa criação era proporcionar aos artistas fontes adicionais de renda extra e maior controle sobre seus trabalhos.

Mais adiante, em 2015, após a criação do Ethereum, surgiu o primeiro projeto de NFT fazendo uso de sua blockchain, chamado Etheria.

O projeto tinha o objetivo de ser um mundo descentralizado: foram criados os “cripto-imóveis”, representados por hexágonos comercializáveis, o que foi apresentado posteriormente na DEVCON 1.

Seguindo a linha de desenvolvimento e novas descobertas, em 2017 a Larva Labs
lançou uma coleção com 10 mil NFTs, num projeto chamado de CryptoPunks, com vários personagens com características únicas, imagens de arte em pixels 24×24 retratando
os “punks”.

Um dado interessante a respeito desse projeto é que inicialmente eles foram criados para serem distribuídos gratuitamente. No entanto, em 2017 um dos modelos da coleção foi vendido pela bagatela de US$ 917 mil. O sucesso foi tanto que, em 2021, a Visa adquiriu um personagem da coleção, identificado como CryptoPunk #7610.

Mas, como se sabe, a evolução dos NFTs não parou por aí.

Desenvolvedores continuaram abrindo diversos leques de oportunidades, até que o próximo experimento, dessa vez com games, ocorresse: um jogo chamado CryptoKitties foi lançado, trazendo NFTs colecionáveis com imagens de diversos gatinhos, emitidos utilizando a blockchain da Ethereum.

Apenas após a popularidade viral de coleções como Rare Pepes na plataforma Counterparty, baseada em Bitcoin, a Ethereum disponibilizou o padrão ERC-721, em 2018. Isso abriu caminho para que outras redes blockchain habilitadas para contratos inteligentes, como Solana e Tezos, ajudassem a promover a adoção e circulação de NFTs.

A popularização

Para entender esse ponto, é preciso saber que o momento do mercado de criptoativos entre 2018 e o início de 2020 vinha sendo marcado por baixas sucessivas, ou seja, estávamos vivendo um bear market.

Entretanto, foi justamente nesse período que diversas equipes construíram infraestrutura para NTFs, apostando na popularização futura desse tipo de token. Foi o caso de plataformas como OpenSea, SuperRare, e Nifty Gateway, nomes desconhecidos até meados de 2020 mas que logo após valeriam bilhões de dólares, protagonizando juntamente com o crescimento exponencial desse mercado.

O ponto de virada das NFTs veio depois do aquecimento do mercado de criptoativos, que, após o halving do BTC em 2020, passou a apurar novas e sucessivas altas, iniciando um ciclo bem mais atrativo a investidores (bull run).

Nesse sentido, o grande marco para os tokens não fungíveis veio com o lançamento dos Bored Ape Yacht Club (BAYC), em 23 de abril de 2021. A coleção era composta por 10.000 NFTs precificados a 0.08 ETH cada – na época, algo próximo dos US$ 200.

Por quase uma semana, para ter um dos NFTs desses macacos bastava entrar no site, fazer uma transação (mint) e obtê-lo. A aparência do item ainda estaria oculta: a data oficial em que os modelos foram revelados foi apenas em 30 de abril.

Até aquele momento, os NFTs não eram criados com características de cartoon – foram os BAYC que inauguraram o padrão. A comunidade ficou surpresa e pouco mais de oito horas depois da revelação das artes, todos os NFTs foram vendidos.

Os NFTs do BAYC inicialmente tinham uma utilidade: além da sinalização social, permitia que os seus detentores pudessem grafitar na parede de um “banheiro virtual” e acessar um chat exclusivo no Discord.

A partir dessa experiência, ficou evidente o quão promissora poderia ser a utilização dos NFTs para diversos setores e modelos de negócios.

No caso da Yuga Labs, responsável pelo BAYC, o plano passou a ser criar um clube com experiências restritas apenas aos detentores dos NFTs de determinada coleção.

O sucesso foi tanto que diversas celebridades entraram na onda: desde o jogador de futebol Neymar. até outras celebridades de âmbito global, como Justin Bieber, Jimmy Fallon, Snoop Dogg e Serena Williams. Em outras palavras, “a moda pegou” e apenas isso foi o suficiente para a tamanha popularização do assunto.

Em 2021, o mercado de NFTs chegou a movimentar cerca de US$ 40 Bilhões segundo dados da Chainalysis, atraindo grandes empresas de fora do universo blockchain, como Coca-cola, Pepsi, Adidas, Budweiser, Volkswagen, Nike, dentre muitas outras.

(Por Helena Margarido e Paulo Ricardo Oliveira)

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