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O mercado de NFTs é bolha?

O mercado de NFTs é bolha?

Helena Margarido

Helena Margarido

05 Ago 2022 às 14:55 · Última atualização: 05 Ago 2022 · 6 min leitura

Helena Margarido

05 Ago 2022 às 14:55 · 6 min leitura
Última atualização: 05 Ago 2022

NFT é bolha

Pixabay

Na era em que vivemos, a evolução tecnológica está cada vez mais rápida e as soluções digitais são fundamentais para o andamento das mais diversas atividades.

Não é de se estranhar que NFTs, blockchain e criptografia sejam termos cada vez mais citados e tecnologias cada vez mais utilizadas em diversos setores.

Quando o assunto são NFTs, especificamente, os olhos de muitas pessoas brilham. Eleita a palavra do ano em 2021 pelo dicionário Collins, trata-se na verdade de uma sigla que significa “Non Fungible Tokens”, ou tokens não fungíveis, em bom português. 

Mas, afinal, o que isso quer dizer?

O termo “fungibilidade” é a característica de tudo aquilo que é substituível, trocável. Por isso, quando estamos falando de ativos digitais, tokens fungíveis são aqueles cujas unidades individuais são intercambiáveis e essencialmente indistinguíveis uma da outra. 

Por exemplo, o bitcoin é fungível, porque cada unidade de $BTC é intercambiável com qualquer outra unidade individual equivalente. 

Independentemente do bloco em que tenham sido emitidos, todos eles possuem o mesmo valor unitário, pois essa é uma propriedade fundamental para um ativo que é a representação digital do dinheiro, que, por consequência, pode ser usado como um meio de troca. 

Acontece que em 24/01/18 foi lançada uma proposta de melhoria no Ethereum que resultou na criação de um novo padrão de contrato inteligente, denominado ERC-721. 

Basicamente, a partir de então passou a ser mais fácil criar tokens únicos, não intercambiáveis entre si, ou seja, não fungíveis, utilizando a tecnologia do Ethereum.

Mas ainda que o ERC-721 tenha sido a melhoria tecnológica responsável pela popularização dos NFTs, a história desses tokens únicos começou anos antes. Poucos sabem, mas o conceito de tokens únicos nasceu com as chamadas “moedas coloridas” (colored coins) em 2012.

Mas foi só nos últimos anos que os NFTs se popularizaram. O sucesso recente foi tanto que diversas celebridades entraram na onda: desde o jogador de futebol Neymar, até outras celebridades de âmbito global, como Justin Bieber, Jimmy Fallon, Snoop Dogg e Serena Williams. 

Em 2021, o mercado de NFTs chegou a movimentar cerca de US$ 40 bilhões, segundo dados da Chainalysis, atraindo grandes empresas de fora do universo blockchain, como Coca-cola, Pepsi, Adidas, Budweiser, Volkswagen, Nike, dentre muitas outras.

Exclusividade, status e utilidade: o valor dos NFTs

Entender a precificação de alguns ativos não é tarefa fácil: de uma pintura ao direito autoral de uma música, muitas vezes não temos ideia de por quê uma obra chega a valer preços astronômicos.

O mesmo vale para as NFTs: por que alguém pagaria cerca de R$ 6 milhões por uma imagem de um macaco fazendo uma bola de chiclete, como fez Neymar?

A questão aqui não é simples, como se pode supor. É claro que, como tudo que permeia o universo de criptoativos, as precificações se dão por simples lei de oferta e demanda. 

Ocorre que, com todo esse histórico de desenvolvimento e diversos casos bem sucedidos, a demanda por NFTs aumentou exponencialmente e é composta tanto por pessoas que buscam os benefícios que os tokens oferecem quanto por especuladores. 

Esse aumento desenfreado da demanda sem dúvida foi determinante para as valorizações também exponenciais dos preços de alguns NFTs, porém não foi o único. 

A verdade é que a gama de utilidade por trás da tecnologia blockchain atrelada ao que os NFTs podem proporcionar nos faz entender que o valor de um token não-fungível está ligado a três aspectos: exclusividade, status/autoridade e utilidade.

Portanto, coleções de NFTs que constroem senso de pertencimento e que criem a possibilidade de uso prático serão as mais valiosas. Um exemplo é o Bored Ape Yacht Club (BAYC).

Com o tempo, conforme os casos de uso forem evoluindo, é possível que outros fatores também interfiram na precificação desses ativos.

Mas a lei da oferta e demanda ainda deverá ser o mais determinante: períodos de baixa do mercado poderão trazer oportunidades de NFTs subprecificadas e períodos de alta poderão ocasionar tokens extremamente inflacionados.

É bolha?

Estamos diante de um novo mercado, utilizando uma nova tecnologia que, dada sua natureza, pode sim ser altamente especulativa. 

Por isso, é possível que em determinados momentos o mercado dos NFTs apresentem um comportamento de bolha, com coleções a preços altamente inflados.

Possivelmente, esse foi o caso que presenciamos ao final de 2021: com o mercado de criptoativos em alta, os preços de muitos NFTs atingiam novos recordes a cada dia.

Contudo, a correção de preços nesse caso veio rápido e acompanhando a baixa do mercado cripto ocorrida durante o ano de 2022. Isso é um sinal de que, assim como alguns criptoativos em geral, o mercado também tende a corrigir grandes disparidades que ocorrem no nicho dos NFTs.

De toda maneira, é importante lembrar que os NFTs criaram um conceito fundamental para a existência do metaverso, que é a unicidade digital. 

Apenas com tokens não fungíveis, que são escassos de forma digital, é possível a criação de uma identidade única e de itens únicos que um usuário pode deter dentro de um ambiente virtual. 

Além disso, diversos outros usos de caso possíveis em diversos mercados (artes, itens colecionáveis, indústria da música, serviços financeiros) que ainda estão nos primórdios da exploração dos NFTs como solução para antigos problemas. 

Portanto, é de se esperar que diversas novidades surjam nesse sentido – e diversos novos tokens, também.

Assim, me parece cedo para dizer que o mercado de NFTs é uma bolha. Na verdade, considerando o potencial da tecnologia e a quantidade de problemas que ela pode solucionar, minha opinião é de que ainda mal começamos a ver o potencial dessa indústria – e da valorização dos tokens não fungíveis, também.

(Por Helena Margarido e Paulo Ricardo Oliveira)

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