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Vai faltar cerveja? Executivo japonês alerta para risco em médio prazo

Vai faltar cerveja? Executivo japonês alerta para risco em médio prazo

Atsushi Katsuki, CEO da Asahi, diz que empresa projeta queda na produção de matérias-primas por causa do aquecimento global.

A notícia pode soar assustadora em meio à onda de calor vivida pelo Brasil nos últimos dias, mas o CEO da cervejaria japonesa Asahi, Atsushi Katsuki, afirmou que análises de sua empresa apontam para o risco de faltar cerveja, e justamente por culpa das mudanças climáticas.

Mas calma, porque esse risco é, por enquanto, de médio prazo: o quadro detalhado por uma das principais cervejarias do mundo, com valor de mercado estimado em cerca de US$ 20 bilhões, mostra que o aumento médio da temperatura global prejudica a produção de duas das principais matérias primas da bebida, a cevada e o lúpulo.

A safra de primavera de cevada da França, por exemplo, poderá cair 18% até 2050, de acordo com o cenário mais grave previsto pela ONU (Organização das Nações Unidas), de aquecimento de 4 graus. A safra da Polônia encolheria 15%. Mesmo diante de um cenário menos pessimista, com aquecimento inferior a 2 graus, prejudicaria as produções, que já vêm caindo – e consequentemente sofrendo aumento de preço – ao longo dos últimos anos.

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Em entrevista ao jornal Financial Times, Katsuki admitiu que o clima mais quente poderia ser uma oportunidade para os fabricantes, mas que há o risco de as empresas não darem conta da demanda. 

Especialistas apontam que o impacto da mudança climática sobre o preço das matérias-primas da cerveja é maior do que o da invasão da Ucrânia pela Rússia. A Asahi, segundo o executivo, fez até uma parceria com a Microsoft e com uma empresa de tecnologia agrícola para rastrear o volume da safra e a qualidade nas fazendas.

Outras cervejarias internacionais têm investido em práticas agrícolas regenerativas, na tentativa aumentar a resiliência de sua produção de cevada a choques climáticos. A Anheuser-Busch InBev investiu em variedades de cevada resistentes à seca na África, onde a dinamarquesa Carlsberg pretende adotar práticas agrícolas totalmente regenerativas até 2040.

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