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SLC: BTG eleva preço-alvo para R$ 23, com potencial de alta de 52%

SLC: BTG eleva preço-alvo para R$ 23, com potencial de alta de 52%

Alta de 17% no algodão e 10% na soja em dois meses pode elevar o lucro projetado da SLC para 2027 em 130%

O BTG Pactual elevou o preço-alvo da SLC Agrícola (SLCE3) para R$ 23 por ação. O novo valor equivale a um potencial de valorização de 52%. O banco reiterou a recomendação de compra para os próximos doze meses.

Achamos que isso é precisamente o que impulsionou a capacidade da companhia de superar o ciclo de preços das commodities desde 2018, e isso não mudou. Mas agora vemos algo se formando que pode comandar um desempenho positivo no curto prazo: os preços das commodities começam a refletir um cenário de oferta e demanda cada vez mais apertado”, escreveram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, analistas do BTG Pactual.

O BTG baseia sua recomendação para a SLC na capacidade da companhia de construir valor ao longo de ciclos. Os movimentos de curto prazo da ação costumam ser ditados pelas oscilações das commodities, difíceis de prever.

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Essa estratégia de crescimento com baixo uso de capital vem desde 2018. Depois de três anos em que as commodities agrícolas foram ignoradas por boa parte dos investidores, o cenário pode mudar. A recomendação de compra do BTG pode voltar a ganhar atratividade.

Área plantada cresce 23%, mas queda nos preços trava a margem

Nos últimos três anos, a SLC ampliou sua área plantada anual em 23%, ou 158 mil hectares. A expansão equivale, aproximadamente, a toda a área plantada atual da BrasilAgro, outra companhia do setor.

Os preços de algodão e soja, porém, caíram 7% e 22% no período, anulando o ganho da maior área plantada. Como resultado, o Ebitda da SLC ficou estável. A margem Ebitda recuou de 37,5% em 2023 para uma estimativa de 28,5% neste ano.

Para o BTG, esse padrão de investimento em baixa começa a se aproximar do momento de colheita. O banco projeta expansão da margem Ebitda da SLC em 2027, pela primeira vez em três anos.

A estratégia de alocação de capital contracíclica da SLC, que envolve investir para crescer quando os preços estão baixos, só dá frutos quando os preços se recuperam, destravando todo o potencial da base de ativos maior. Acreditamos que estamos agora à beira desse momento”, escreveram Duarte e Guttilla.

Campo de lavoura recriado em IA da SLC
Foto: gerado por IA

SLC volta a negociar a um múltiplo de um dígito

Nos últimos dois meses, os preços do algodão subiram 17% e os da soja, 10%. Na estimativa de lucro por ação do BTG para 2027, esse movimento representa um salto de cerca de 130%.

“Os lucros estavam tão deprimidos que até a menor melhora nas margens operacionais pode gerar um salto significativo nos resultados. O crescimento da SLC também aumentou sua alavancagem, o que torna a ação ainda mais sensível a qualquer melhora no cenário de preços das commodities”, escreveram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, analistas do BTG Pactual.

Com a recuperação dos preços, o BTG vê a SLC negociada a um múltiplo de 9,9 vezes o lucro projetado. A alta das commodities agrícolas tem relação direta com o petróleo, com correlação histórica de 90% em 20 anos.

Após quase quatro anos de preços baixos, o mundo começa a ver escassez de oferta em fibras e grãos. Estados Unidos e Índia já cortaram área plantada de algodão desde o pico de 2022.

El Niño é o maior risco, mas SLC está mais protegida

O clima entra como a principal variável de risco para os próximos meses da SLC. O fenômeno El Niño deve atingir o pico em novembro, período de plantio das primeiras safras de soja e algodão. A força só deve diminuir no 2º trimestre de 2027.

“O El Niño é agora o maior risco para nossa tese. As implicações para a produtividade da SLC podem ser imprevisíveis, mas historicamente têm sido mais negativas do que positivas. Hoje, porém, a companhia tem praticamente 100% de sua área plantável totalmente desenvolvida e madura, o que reduz de forma substancial os efeitos de condições climáticas menos favoráveis”, escreveram Duarte e Guttilla.

O BTG atualizou suas projeções para a SLC, considerando câmbio, preços de commodities e hedges recentes. O banco agora projeta Ebitda de R$ 2,4 bilhões em 2026 e R$ 2,95 bilhões em 2027. O lucro líquido esperado é de R$ 404 milhões e R$ 763 milhões nos mesmos anos. A relação entre dívida líquida e Ebitda deve cair para 2,9 vezes em 2026 e 2,3 vezes em 2027.

“Nosso novo preço-alvo de R$ 23 por ação para os próximos doze meses implica um potencial de valorização de 52%”, concluíram os analistas.