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Mercado de vinho está em crise por queda de produção e mudança de hábitos

Mercado de vinho está em crise por queda de produção e mudança de hábitos

Descubra a crise do mercado de vinhos: produção em queda, mudança de hábitos de consumo e impactos econômicos. Confira!

O vinho é considerado uma das bebidas mais apreciadas da humanidade. Há registros históricos do consumo da bebida em 6.000 a.C., mais antigo que diversas civilizações clássicas da Antiguidade. 

No Egito Antigo, o consumo de vinho era exclusivo da família do Faraó. Os gregos celebravam Dionísio, o deus do vinho, com festivais regados à bebida, e na Santa Ceia, última refeição de Jesus Cristo com seus apóstolos, o vinho também esteve presente.

Apesar da importância histórica, o mercado de vinho enfrenta uma crise, com consumo e produção nos níveis mais baixos desde 1961, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).

Para entender este cenário, o portal EuQueroInvestir reuniu as principais informações sobre o atual cenário do mercado viticultor, que abrange desde problemas de produção com crises climáticas até a mudança de hábitos das pessoas. 

Produção de vinho em queda

foto plantação de vinho
Freepik – Vitucultura

Uma das causas para a redução do consumo é a menor oferta de vinho. O ano de 2023 foi desafiador para os principais produtores de uva no mundo. 

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A OIV estima que, em mercados como África do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Espanha, França, Itália e Portugal, a produção caiu entre 12% e 20%.

Na França, a produção se manteve estável, tornando o país o maior produtor global em volume, à frente da Itália, onde a produção caiu 12%, e da Espanha, com uma queda de 14%. Os principais produtores sul-americanos também registraram quedas significativas. 

No Chile, maior produtor do hemisfério sul, o volume de vinho em 2023 foi 20% menor que no ano anterior, e 18% abaixo da média dos últimos cinco anos, afetado por incêndios florestais e secas.

As condições climáticas adversas, como fortes chuvas na Argentina e a falta de água no Chile, impactaram a produção vinícola na América do Sul. No Brasil, as inundações no Rio Grande do Sul também devem afetar significativamente o mercado de vinho. 

Na Europa, o último verão foi um dos mais quentes da história recente, com a Espanha sofrendo grave seca e temperaturas extremas.

A crise geopolítica no leste europeu, com a invasão russa na Ucrânia, levou a sanções econômicas que aumentaram os custos dos fertilizantes, prejudicando o mercado agrícola. Entre 2020 e 2022, os preços dos fertilizantes subiram quase 300%, elevando os custos de produção e tornando os seguros agrícolas mais caros.

Na França, o governo anunciou um pacote de 200 milhões de euros para destruir excedentes de produção e convertê-los em álcool para perfumes e outras soluções hidroalcoólicas. 

Na região de Bordeaux, milhares de hectares de vinhedos foram destruídos para evitar a superprodução. Muitos produtores franceses estão trocando a cultura do vinho por produtos mais lucrativos, como amêndoas e melancias.

Mercado de vinho: demanda mais baixa no consumo

foto de jovens bebendo vinho
Freepik – Jovens bebendo vinho

A queda no consumo de vinho não se deve apenas à menor oferta; as pessoas estão bebendo menos vinho. Durante a pandemia de Covid-19, houve um aumento significativo no consumo de bebidas alcoólicas devido às restrições de circulação e ao fechamento de bares. 

Segundo a Wine Intelligence, entre 2019 e 2020, a venda online de vinhos no Brasil cresceu 93,9%. Em 2021, o consumo per capita de vinho no Brasil aumentou em mais de 30%, atingindo uma média de 2,78 litros por pessoa.

No entanto, após o aumento do consumo durante a pandemia, houve uma redução. Especialmente entre os jovens da geração Z, a tendência é beber menos. Um estudo publicado em 2020 mostrou que, em 39 países, o consumo de álcool entre adolescentes de 12 a 18 anos caiu significativamente. 

No Brasil, um inquérito do Ministério da Saúde de 2021 revelou que 19,3% dos brasileiros de 18 a 24 anos fazem consumo abusivo de álcool, o menor índice desde 2015.

Além da redução no consumo de álcool, há uma preferência crescente por bebidas com teor alcoólico mais baixo, como espumantes e vinhos brancos e rosés, em detrimento dos vinhos tintos. 

Na França, uma reportagem do Le Monde revelou que os jovens estão preferindo cerveja ao vinho devido ao preço e ao teor alcoólico.

Mercado de vinho: maiores consumidores restringiram o mercado

ilustração bandeiras eua e china: vinho
Freepik – Bandeiras dos EUA e China

Os dois maiores consumidores de vinhos do mundo, EUA e China, também são responsáveis pela queda do consumo mundial. 

Nos EUA, o consumo de vinho importado caiu devido às sobretaxas sobre vinhos franceses e ao aumento da produção interna.

Em 2021, os EUA anunciaram a sobretaxa em vários produtos europeus, destacando os acessórios aeronáuticos e vinhos franceses e alemães. 

Essa medida foi uma resposta do ex-presidente americano Donald Trump às disputas com o presidente francês Emmanuel Macron sobre a Airbus, a Boeing e a sobretaxação de empresas de tecnologia norte-americanas na França. 

Sempre disse que o vinho americano é melhor do que o vinho francês“, ironizou Trump na época. 

Além das restrições dos produtos franceses, a produção de vinhos nos EUA, atualmente o quarto maior produtor mundial, atrás apenas de Itália, França e Espanha, também se destacou. A Califórnia é responsável por 85% da produção de vinho do país. Diversos sites especializados indicam que a região tem um dos melhores vinhos do mundo e é uma das que mais crescem.

Todos os estados produzem vinho, incluindo Alaska e Hawaii. A área de plantação de vinhedos se estende por cerca de 400 mil ha abrangendo cerca de 30 estados, mas a vinificação ocorre em todos os 50 estados que contam com mais de 10 mil vinícolas. 

Apesar disso, o principal destaque fica para a Califórnia, que é responsável por cerca de 85% da produção de vinho do país. Diversos sites especializados indicam que a região tem um dos melhores vinhos do mundo e é um dos que mais crescem. 

A China, maior consumidora mundial de vinhos tintos, também enfrentou dificuldades durante a pandemia, prejudicando seriamente o mercado de vinhos. 

Em 2021, o mercado chinês (incluindo China, Hong Kong e Macau) foi o maior importador de vinhos de Bordeaux, com cerca de 54 milhões das 252 milhões de garrafas exportadas no mesmo período.

Os vinhos estão mais baratos

Um dos vinhos mais apreciados, o Bordeaux Château Lafite Rothschild safra 2005, viu seu preço cair cerca de 25%, segundo o Economista Sincero. Uma caixa com 12 garrafas, que chegou a ser vendida por US$ 15.720, foi negociada recentemente por US$ 11.200.

Embora os preços do vinho estejam mais acessíveis, é importante observar que os vinhos premium e superpremium geralmente mantêm sua demanda mesmo em períodos de crise, como o atual. No entanto, durante fases de prosperidade econômica, é comum que esses vinhos alcancem preços mais elevados.

Por outro lado, os vinhos de baixo custo também estão apresentando redução em seus valores. O ano passado foi caracterizado pela queda nas vendas e importações, especialmente no caso dos vinhos chilenos. Este cenário reflete os desafios enfrentados pelo mercado vinícola e suas respostas às flutuações econômicas globais.

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