A sanção do Marco Legal do Transporte Público pelo governo federal, acompanhada de uma série de vetos, trouxe uma leitura negativa para a Marcopolo (POMO4), na avaliação do Bradesco BBI.
A legislação ainda depende de possível revisão pelo Congresso e pode levar até um ano para entrar plenamente em vigor, mas a retirada de dispositivos considerados centrais para o financiamento do setor já altera a percepção sobre o ambiente de negócios.
Entre os principais vetos estão mecanismos que vinculavam o financiamento do transporte público a fontes dedicadas, como receitas da CIDE-Combustíveis e instrumentos associados a créditos de carbono. Também ficaram de fora propostas de subsídios federais diretos para gratuidades tarifárias e incentivos adicionais à eletrificação da frota.
Para os analistas, essas exclusões reduzem a capacidade de estruturar um modelo mais sustentável para o setor.
“Os vetos atingem mecanismos-chave que poderiam fortalecer a previsibilidade de receitas das operadoras e sustentar investimentos mais robustos em renovação de frota”, afirmam Daniel Federle e Wellington Lourenço.
PublicidadePublicidade
A leitura é de que o texto final perde parte relevante do potencial de transformação do marco regulatório, especialmente no que diz respeito à melhoria das condições financeiras das empresas de transporte urbano.
Efeito indireto sobre a demanda por ônibus
A consequência mais direta para a Marcopolo aparece de forma indireta, via demanda por novos veículos. Com operadores de transporte público enfrentando restrições financeiras e menor visibilidade de receitas, o ritmo de renovação e expansão de frota tende a permanecer mais contido.
Sem fontes claras de financiamento e subsídios estruturados, projetos de modernização, como a substituição por ônibus elétricos ou veículos mais eficientes, podem ser adiados ou reduzidos. Isso limita a criação de um ciclo mais forte de demanda no mercado doméstico, que poderia beneficiar fabricantes como a Marcopolo.
Além disso, a ausência de incentivos vinculados a créditos de carbono enfraquece um potencial vetor de crescimento ligado à transição energética, um dos temas que vinham ganhando relevância na indústria de transporte urbano.
Apesar da leitura negativa, o Bradesco BBI destaca que, por ora, não há impacto nas estimativas financeiras nem no preço-alvo da companhia. Isso reflete tanto o prazo de implementação da lei quanto a possibilidade de revisões no Congresso.
Mesmo assim, o tom é cauteloso. “A falta de instrumentos de financiamento dedicados reduz o potencial de melhora estrutural do setor, o que limitaria um ciclo mais forte de investimentos em ônibus no Brasil”, dizem Federle e Lourenço.






