A Equatorial (EQTL3) entrou no radar positivo do Bradesco BBI após uma revisão relevante de premissas que elevou o preço-alvo da companhia para R$ 54 por ação até o fim de 2026, ante R$ 43 anteriormente. O movimento reflete, sobretudo, a expectativa de uma agenda regulatória mais favorável ao setor elétrico, com impactos diretos sobre a rentabilidade da empresa.
As novas estimativas do banco apontam para um Ebitda de R$ 11,1 bilhões em 2026 e R$ 13,1 bilhões em 2027, sustentados por revisões tarifárias e ganhos de eficiência operacional. No entanto, o principal destaque do relatório não está apenas nos números projetados, mas no potencial destravamento de valor vindo de mudanças regulatórias ainda em discussão.
Agenda regulatória
O Aneel aparece como peça-chave nessa reprecificação. Segundo o BBI, a agência deve avançar em 2026 com consultas públicas que podem corrigir distorções históricas no modelo tarifário. Entre os pontos mais relevantes está a possível recalibração do chamado fator X — mecanismo que ajusta ganhos de eficiência das distribuidoras — atualmente considerado elevado.
Essa revisão, por si só, pode adicionar cerca de R$ 1,2 bilhão em valor presente líquido à EQTL3. Além disso, a atualização dos parâmetros de provisão para inadimplência pode gerar outros R$ 1,0 bilhão em valor, reforçando a tese de que o ambiente regulatório pode se tornar um vetor relevante de crescimento.
Outro ponto em discussão envolve regras para perdas de energia em áreas de risco, tema sensível que ainda não está incorporado nas projeções-base do banco, mas que pode representar um upside adicional.
Crescimento à frente?
No campo operacional, a Equatorial segue mostrando disciplina de custos. O relatório destaca que o PMSO por consumidor deve cair cerca de 7% em termos reais até 2027 frente a 2025, evidenciando ganhos de eficiência contínuos.
Além disso, o ciclo de revisões tarifárias das distribuidoras do grupo sustenta uma trajetória de crescimento mais longa. Após o impacto positivo esperado na Celpa em 2027, o banco projeta novas revisões em Cepisa e Celg em 2028, e em Cemar e Ceal em 2029. Esse conjunto deve impulsionar um CAGR de Ebitda de 14% entre 2026 e 2029.
Com isso, a EQTL3 se posiciona como uma das principais beneficiárias de um ciclo regulatório mais construtivo, especialmente por seu histórico de eficiência operacional superior à média do setor.
Valuation e gatilhos
O BBI reitera recomendação de outperform (compra) para EQTL3, destacando que o papel negocia com uma TIR real próxima de 10%, considerada atrativa para uma empresa com forte capacidade de execução e alocação de capital.
Entre os potenciais gatilhos adicionais para EQTL3, o banco cita oportunidades de M&A no horizonte, como a possível privatização da Copasa em 2026 e eventuais desinvestimentos da Enel no Brasil a partir de 2027.
Na avaliação do banco, a combinação entre disciplina operacional e um ambiente regulatório mais favorável cria um cenário robusto para geração de valor no médio e longo prazo — com a Equatorial bem posicionada para capturar esses ganhos de forma consistente.
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