Termos ainda dependem de aprovação de mais da metade dos credores e de acordo tributário federal; plano integral será publicado nos próximos dias pela companhia
A Raízen (RAIZ4) divulgou em 27 de maio os termos preliminares do Plano de Recuperação Extrajudicial (PRE). A dívida total é de R$ 75,3 bilhões, sendo R$ 65,4 bilhões sujeitos à reestruturação. As ações da empresa têm queda de 57,5% em 2026.
“A proposta combina aporte primário, conversão de dívida em equity e reorganização do passivo — uma abordagem abrangente para reduzir a alavancagem histórica de 5,3 vezes dívida líquida/EBITDA”, avaliam os analistas do Safra Yuri Machado e Roberto Pasqualini.
(Imagem: Divulgação/ Raízen)
Shell e Aguassanta aportam até R$ 4 bilhões
A Shell comprometeu R$ 3,5 bilhões a R$ 0,25 por ação. A Aguassanta Investimentos pode adicionar até R$ 500 milhões nas mesmas condições.
“O equity novo de até R$ 4 bilhões é necessário, mas a sustentabilidade da estrutura depende da execução das projeções e da conclusão do acordo tributário federal”, observam Machado e Pasqualini.
Empresa será dividida em Combustíveis e Energia
Após o fechamento, a Raízen será segregada em Raízen Combustíveis e Raízen Energia. A alavancagem pós-transação estimada é de 4,8x na primeira e 2,2x na segunda.
(Imagem: Divulgação/ Raízen)
Múltiplos fatores levaram à crise
A Selic acima de 12% por mais de 20 meses e eventos climáticos severos derrubaram o EBITDA em 12% na Safra 2025/26.
“A convergência de juros elevados, quebra de safra e volatilidade na Argentina criou descompasso severo entre geração de receita e despesa financeira, elevando a alavancagem ao maior nível histórico”, afirmam os analistas.
Na Opção A, 45% do crédito converte-se em ações e 55% em nova dívida, preservando a moeda original.
A Opção B prevê haircut de 80% com vencimento único em 2047.
A Opção C oferece pagamento à vista de até R$ 9.750 por credor, com teto total de R$ 150 milhões, direcionada a credores menores do varejo.
“A Opção A é a mais complexa, pois expõe o credor a risco equity, com retorno dependente da recuperação de valor da companhia após a reestruturação”, destacam Machado e Pasqualini.
Quadro comparativo das opções
Fontes: Raízen e Safra
Contingências tributárias concentram maior incerteza
As contingências tributárias somam R$ 24,6 bilhões. O fechamento está condicionado a um acordo tributário federal.
“As contingências de R$ 24,6 bilhões representam o principal elemento de incerteza do cronograma, com parte potencialmente reembolsável pelos acionistas fundadores”, alertam os analistas.
O plano ainda depende de aprovação de mais da metade dos credores. O fechamento tentativo está previsto para março de 2027 e a segregação para dezembro de 2027.
“Até que os termos definitivos sejam aprovados em assembleia, esta proposta deve ser tratada como ponto de partida de negociação, sujeito a ajustes materiais”, concluem Machado e Pasqualini.
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