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EXCLUSIVO! CEO da SimpliRoute vê Brasil como motor de crescimento para IA na logística

EXCLUSIVO! CEO da SimpliRoute vê Brasil como motor de crescimento para IA na logística

Em entrevista ao EuQueroInvestir, Álvaro Echeverria destaca que o mercado brasileiro combina alta competição, avanço do e-commerce e necessidade de eficiência nas entregas

O Brasil deixou de ser apenas mais um mercado na operação da SimpliRoute e se tornou estratégico nos planos da empresa de inteligência artificial aplicada à logística.

Para Álvaro Echeverria, cofundador e CEO da companhia, a combinação entre concorrência acirrada, avanço do e-commerce e pressão por redução de custos faz do país um dos principais motores de expansão da empresa na América Latina.

“O Brasil é um mercado muito dinâmico, com uma competição muito intensa e uma necessidade grande de melhorar a operação logística”, afirma Echeverria, em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir.

A SimpliRoute atua com tecnologia para otimização de rotas, gestão de entregas e monitoramento de operações logísticas. A plataforma usa inteligência artificial para apoiar empresas na definição de trajetos, acompanhamento de motoristas, comunicação com clientes e automação de etapas antes, durante e depois da entrega.

Em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir, Echeverria afirma que o Brasil reúne algumas das principais características buscadas pela companhia:

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  • mercado grande,
  • logística complexa,
  • alta demanda por eficiência e
  • empresas cada vez mais pressionadas a entregar melhor sem elevar custos na mesma proporção.

“O Brasil estava em um estágio muito bom para adotar ferramentas avançadas de logística. Era um mercado com problemas complexos, mas também com muita oportunidade”, diz.

A operação brasileira está no terceiro ano e já representa mais de 10% da receita da SimpliRoute. A companhia também registrou crescimento de 458% no faturamento e alta de 175% na carteira de clientes desde 2024.

De pesquisa acadêmica a empresa de logística

A origem da SimpliRoute não veio diretamente do varejo ou do e-commerce. A empresa nasceu a partir de uma pesquisa acadêmica desenvolvida por Echeverria durante o seu doutorado no Chile. O objetivo inicial era resolver um problema de tempo de resposta em operações dos bombeiros da região metropolitana de Santiago.

A questão era aparentemente simples, mas operacionalmente complexa: como reduzir o tempo de deslocamento de equipes de emergência considerando variáveis reais, como trânsito, distância, localização dos veículos e condições de rota?

A partir desse estudo, Echeverria percebeu que o mesmo tipo de tecnologia poderia aplicado ao setor de logística das empresas, que precisam entregar produtos em diferentes regiões, com previsibilidade, menor custo e melhor experiência para o consumidor.

“Era um problema dos bombeiros, mas depois vimos que a mesma tecnologia podia ajudar empresas com problemas operacionais parecidos: chegar mais rápido, usar melhor os veículos e tomar decisões com mais informação”, explica.

Brasil ganha peso na operação global da SimpliRoute

A SimpliRoute nasceu no Chile e depois expandiu para mercados como Peru, Colômbia, Argentina, Uruguai, México e Estados Unidos.

A entrada no Brasil ocorreu depois de a SimpliRoute testar sua atuação em outros mercados latino-americanos. Para Echeverria, o país combina escala e complexidade, duas características que tornam a adoção de tecnologia logística mais relevante.

“O mercado brasileiro não era 100% novo para nós. Antes de abrir a operação, já tínhamos contato com o país por meio de parceiros e clientes. Mas abrir localmente permitiu acelerar muito mais”, afirma.

O tamanho do mercado também pesou. Com território extenso, grandes centros urbanos, cidades médias em expansão e alta competição no comércio eletrônico, o país oferece um ambiente desafiador para empresas que dependem de entregas rápidas e previsíveis.

Na avaliação do CEO, esse cenário cria espaço para soluções que ajudem empresas a ganhar eficiência operacional. A companhia vê potencial para ampliar a participação brasileira na receita global, especialmente à medida que avança em São Paulo e aprofunda a presença em outros centros consumidores do país.

“O Brasil tem uma combinação muito forte: tamanho, complexidade e crescimento do comércio eletrônico. Isso faz com que ferramentas de otimização sejam cada vez mais importantes”, diz Echeverria.

Por que a logística brasileira virou oportunidade

A logística brasileira combina problemas conhecidos por empresas e consumidores: trânsito intenso, custo elevado de transporte, dificuldade de roteirização, falhas de entrega, baixa previsibilidade e comunicação nem sempre eficiente entre empresa, motorista e cliente final.

Para quem compra pela internet, a entrega pode parecer simples: o pedido é feito, o produto sai do centro de distribuição e chega à porta de casa. Para quem opera a cadeia, no entanto, cada entrega depende de uma sequência de decisões tomadas com rapidez.

“A logística parece simples para o consumidor, mas é uma operação muito complexa. Não é só escolher uma rota. É entender motorista, trânsito, tempo de parada, janela de entrega e comunicação com o cliente”, afirma.

A rota escolhida, o perfil do motorista, o tempo de parada, a janela de entrega, o trânsito, a localização do consumidor e até a possibilidade de reagendamento influenciam diretamente o custo e a qualidade da operação.

É nesse ponto que a SimpliRoute tenta se posicionar. A empresa busca transformar dados operacionais em decisões automatizadas ou semiautomatizadas, reduzindo o trabalho manual das equipes logísticas e aumentando a previsibilidade das entregas.

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Como a IA entra na rota das entregas

A inteligência artificial aplicada à logística funciona como uma espécie de torre de controle da operação. A tecnologia cruza informações sobre veículos, motoristas, pedidos, endereços, horários e condições de deslocamento para definir rotas mais eficientes.

No caso da SimpliRoute, a plataforma acompanha a execução das entregas em tempo real e identifica pontos de atenção, como atrasos, paradas acima do esperado, falhas na rota e necessidade de reagendamento.

“A inteligência artificial funciona como uma torre de controle. Ela monitora se o motorista está seguindo bem, se está demorando mais do que deveria ou se existe risco de uma entrega falhar”, explica Echeverria.

A tecnologia também ajuda a organizar a comunicação com o cliente final. Quando uma entrega precisa ser remarcada, por exemplo, a plataforma pode automatizar parte do contato, considerar o histórico da conversa e propor uma nova data ou janela de entrega.

“Se a entrega vai falhar, a tecnologia pode agir automaticamente, reagendar para outro dia e adaptar a comunicação com o cliente de acordo com o contexto”, afirma.

A lógica também vale para os motoristas. A plataforma pode identificar diferenças de desempenho entre condutores, rotas em que determinado motorista costuma operar melhor e regiões com maior risco de atraso. Esses dados ajudam a empresa a planejar melhor a distribuição das entregas.

Redução de custo vem de frota, quilômetros e automação

Um dos principais argumentos comerciais da SimpliRoute é a possibilidade de reduzir em até 30% o custo logístico de clientes. De acordo com Echeverria, essa economia não vem de um único fator, mas da combinação entre melhor uso da frota, redução de quilômetros rodados e automação de processos.

“A redução de custo vem primeiro da quantidade de veículos necessários e depois da produtividade de cada veículo”, afirma o CEO.

A primeira frente está na quantidade de veículos necessária para cumprir a mesma demanda. Quando a roteirização é mais eficiente, uma empresa pode realizar mais entregas com a frota já disponível ou evitar a contratação de veículos adicionais.

Outro ponto é a produtividade de cada veículo. Em operações tradicionais, parte da frota pode passar horas em trajetos pouco eficientes, com baixa ocupação ou deslocamentos desnecessários. Ao reorganizar rotas e janelas de entrega, a tecnologia busca aumentar o aproveitamento de cada motorista e de cada veículo.

“Se eu consigo usar melhor cada veículo, reduzir quilômetros e aumentar a quantidade de entregas feitas no mesmo período, o impacto no custo total é muito relevante”, diz.

Além da frota, há ganhos na automação de etapas posteriores à entrega, como confirmação, digitalização de documentos, liquidação de pagamentos e registros operacionais. Processos que antes dependiam de conferência manual passam a ser integrados à plataforma.

E-commerce e pressão competitiva puxam demanda no Brasil

O crescimento da SimpliRoute no Brasil acompanha a digitalização das empresas e a expansão do comércio eletrônico. Com consumidores acostumados a prazos mais curtos e acompanhamento em tempo real, a logística deixou de ser apenas uma área de suporte e passou a influenciar diretamente a percepção de valor da marca.

“O comércio eletrônico tornou a logística ainda mais importante. O consumidor quer saber onde está o pedido, quando vai chegar e precisa confiar naquela entrega”, diz Echeverria.

Essa pressão atinge grandes companhias, mas também empresas médias e menores que precisam profissionalizar a operação. Para negócios em crescimento, a adoção de tecnologia pode permitir aumento no volume de entregas sem replicar, na mesma proporção, os custos com frota, equipe e gestão manual.

Segundo o CEO, esse é um dos pontos que tornam o Brasil atraente. O país reúne grandes operadores logísticos, varejistas, empresas de consumo e um número crescente de negócios que precisam entregar melhor para competir.

“Quando o mercado fica mais competitivo, a empresa precisa decidir onde investir para ganhar eficiência. A logística passa a ser uma dessas áreas centrais”, afirma.

Pequenas e médias empresas também entram na rota da IA

Embora a inteligência artificial ainda seja frequentemente associada a grandes companhias, Echeverria afirma que a adoção na logística começa a avançar também entre empresas menores. A diferença está no tipo de dor enfrentada por cada operação.

Grandes companhias costumam buscar ganhos de escala, integração e controle sobre redes complexas de entrega. Já empresas médias e pequenas procuram reduzir desperdícios, profissionalizar rotas e ganhar capacidade de crescimento sem perder margem.

“As empresas menores também têm problemas logísticos importantes. Muitas vezes, elas não precisam de uma estrutura gigantesca, mas precisam organizar melhor as entregas, reduzir desperdícios e crescer sem aumentar o custo na mesma proporção”, diz.

A barreira de adoção tem diminuído nos últimos anos. No início, muitas empresas ainda viam esse tipo de tecnologia como algo distante ou caro. A pandemia, no entanto, acelerou a digitalização e fez companhias repensarem a importância da logística para o negócio.

“No começo, o desafio era mostrar para empresas mais tradicionais que a tecnologia podia resolver problemas operacionais. A pandemia foi um momento de reflexão, porque muitas companhias tiveram mais demanda e precisaram entender como operar melhor”, afirma Echeverria.

O erro das empresas ao adotar inteligência artificial

Para Echeverria, um dos principais erros das empresas é tratar a inteligência artificial como um fim em si mesmo. A tecnologia, diz ele, precisa partir de um problema concreto da operação.

“Se você pensa que transformação digital é simplesmente colocar inteligência artificial na companhia, está errado. O ponto é entender como criar mais valor para o cliente”, afirma.

A adoção de IA apenas porque o tema está em alta pode gerar projetos pouco conectados às necessidades reais do negócio. Antes de automatizar, a empresa precisa mapear ineficiências, entender processos e identificar onde a tecnologia pode criar valor.

Na logística, isso significa olhar para gargalos como baixa produtividade da frota, atrasos recorrentes, falhas de entrega, excesso de trabalho manual e falta de visibilidade sobre a operação.

“Primeiro, a empresa precisa encontrar as ineficiências. Depois, decide onde a tecnologia pode ajudar. A inteligência artificial é uma ferramenta, não a estratégia inteira”, diz.

Para o CEO da SimpliRoute, essa será uma das principais diferenças entre empresas que apenas testam IA e aquelas que conseguem transformar a tecnologia em resultado operacional.

Brasil no centro da próxima fase

A SimpliRoute vê o Brasil como peça central de sua próxima fase de crescimento. A empresa entende que a complexidade logística do país, combinada ao tamanho do mercado consumidor, cria uma oportunidade relevante para soluções de inteligência artificial aplicadas à entrega.

Nos próximos anos, a companhia pretende aprofundar a atuação local e ampliar a presença em diferentes regiões. São Paulo segue como mercado prioritário, mas a estratégia passa por avançar em outros centros com demanda crescente por eficiência logística.

“O Brasil pode se tornar um dos mercados mais importantes para a SimpliRoute. Ainda temos muito espaço para aprofundar a operação no país”, afirma Echeverria.

A aposta da SimpliRoute é que, em um mercado cada vez mais orientado por velocidade e previsibilidade, a logística deixe de ser apenas um custo operacional e passe a ocupar papel estratégico nas decisões de crescimento das empresas.

“A logística não é só custo. Ela passa a ser parte da estratégia de crescimento, porque afeta a experiência do cliente e a capacidade da empresa de competir”, diz.