A Caixa Econômica Federal pretende se consolidar como um dos principais players no mercado de apostas esportivas, conhecidas como “bets“, segundo o presidente do banco, Carlos Vieira. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22) e divulgada pelo Valor Econômico.
Ele afirmou que as plataformas de apostas online não competem diretamente com as loterias tradicionais e projetou que a receita proveniente dessas novas iniciativas deve alcançar cerca de metade do valor arrecadado pelos sorteios. Apesar disso, o presidente reconheceu que a Caixa teve que solicitar uma licença para entrar no setor, destacando que o crescimento acelerado desse mercado motivou a decisão de não ficar de fora.
O presidente também afirmou que não acredita que o país terá tantas operadoras de apostas como se especula e ressaltou que o banco certamente estará entre os líderes do setor. Ele destacou, entretanto, a necessidade de ações educativas para lidar com o risco de vício em jogos. “Vamos promover a conscientização; ninguém quer que as pessoas comprometam sua renda com apostas“, declarou.
Aposta da Caixa para o futuro das ‘bets’
Lucíola Vasconcelos, CEO da Caixa Loterias, afirmou para o Valor Econômico que a instituição projeta que as apostas esportivas possam no futuro representar cerca de 50% da arrecadação das loterias tradicionais.
No primeiro semestre deste ano, as loterias registraram uma arrecadação de R$ 12,3 bilhões, um crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior. “Nosso modelo de bets não vai ser focado em ponto físico, vamos operar como todas as outras operadoras”, explicou.
As normas estabelecidas pelo governo exigem que as operadoras de apostas esportivas possuam um capital mínimo de R$ 30 milhões. Atualmente, o capital da Caixa Loterias é de aproximadamente R$ 10 milhões. Segundo Vasconcelos, o prazo dado para adequação permitirá que a Caixa cumpra as exigências.
A executiva também destacou que a instituição continuará priorizando o cuidado com os apostadores, implementando limites, alertas e oferecendo suporte, se necessário. “O mercado de bets é muito grande, e a regulamentação foi importante”, concluiu.
“Efeito bet”: vício em jogo afeta jovens da Geração Z
Com jogo do tigrinho, apostas esportivas e tantos jogos financeiros online, jovens com menos de 30 anos somam mais de um terço (36,3%) dos pacientes atendidos por dependência em apostas no Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo. O efeito bet em si pegou tanto adultos quanto a nova geração que mais ocupa o espaço da internet.
O aumento do número de pessoas com dependência da Geração Z entre os anos de 2015 e 2023 tem chamado a atenção do Programa Ambulatorial do Jogo (Pro-Amjo), vinculado ao Instituto de Psiquiatria do HC. Segundo especialistas consultados pelo Estadão, a falta de fiscalização da publicidade abusiva e a ampliação do setor de apostas no País impulsionam o problema. Entre 2021 e abril deste ano, o número de bets atuando no Brasil passou de 26 para 217, de acordo com a plataforma Datahub.
Em 2015, quando o Pro-Amjo começou a tabular os dados, havia apenas um paciente com menos de 30 anos. Em 2023 esse número saltou para 58, de um total de 160 pessoas atendidas. Até julho deste ano a proporção entre a Geração Z e as gerações mais velhas se manteve estável em relação ao ano passado. De acordo com o ambulatório, muitos jovens já chegam para atendimento com um alto nível de endividamento, geralmente após a família descobrir o vício em jogos.
Em entrevista ao jornal Estadão, Maria Paula Magalhães, psicóloga especializada em Transtorno do Jogo no Pro-Amjo, acredita que a rapidez das apostas e a conexão das bets com esportes contribuem para o vício. “Hoje, vemos jovens de 20 e poucos anos muito endividados, contraindo dívidas e de uma maneira rápida”, observa Maria Paula.
O ambulatório de jogos do HC faz parte do Programa Ambulatorial dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti), onde trabalha a psiquiatra Nicole Rezende. Ela corrobora a opinião de Maria Paula e descreve a mudança no perfil dos apostadores. “Antes, era de adultos na faixa de 40 anos e, hoje, é de homens jovens, por volta dos 20”, diz a psiquiatra. “A pessoa aposta, e o resultado vem logo. Isso também é um grande fator de alerta. Quanto mais rápido, maior o risco.”
O acesso às bets esportivas pelo celular é um dos desafios do tratamento, pois facilita o vício. Mesmo assim, a psiquiatra Kátia Branco, também do Pro-Amiti, afirma que é possível desenvolver estratégias para interromper esse ciclo. “Tem aplicativos no próprio celular que impedem a pessoa de abrir certos sites. Outra alternativa é ficar sem o telefone e até mesmo sem os cartões de crédito”, afirma.
Você leu sobre a Caixa e ‘bets’. Para investir melhor, consulte os e-books, ferramentas e simuladores gratuitos do EuQueroInvestir! Aproveite e siga nosso canal no Whatsapp!






