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Apple aposta em assinatura para iPhones e outros produtos

Apple aposta em assinatura para iPhones e outros produtos

Programa permite pagar mensalmente por iPhones, iPads, Macs e Apple Watches e pode mudar a relação dos consumidores

A Apple (AAPL34) decidiu apostar em um modelo de assinatura para seus principais produtos nos Estados Unidos. O programa, chamado Apple Upgrade, permite que consumidores paguem uma mensalidade para usar iPhones, iPads, Macs e Apple Watches e, ao fim do contrato, optar por devolver o aparelho, trocá-lo por um modelo mais recente ou pagar o valor residual para ficar com o produto.

A iniciativa é operada pela Klarna, fintech sueca especializada em buy now, pay later. Os contratos têm duração de 12 a 36 meses, dependendo do produto.

Na prática, o modelo transforma a compra de um equipamento de alto valor em uma despesa mensal mais previsível. Um iPhone 17 Pro de US$ 1.099, por exemplo, pode ser adquirido por US$ 31,99 mensais em um contrato de 24 meses. Ao longo do período, o consumidor terá desembolsado US$ 767,76, mas ainda precisará devolver o aparelho ou pagar o saldo residual para se tornar proprietário.

Os preços do programa começam em US$ 17,99 mensais para o iPhone, US$ 11,99 para Apple Watch e iPad e US$ 24,99 para o Mac.

A estratégia representa uma nova tentativa da Apple de transformar seus produtos em um serviço recorrente. Segundo a Bloomberg, a companhia já havia trabalhado, cerca de cinco anos atrás, em um programa de assinatura administrado internamente pela equipe do Apple Pay. O projeto, no entanto, acabou abandonado diante das dificuldades operacionais e do aumento do escrutínio regulatório sobre iniciativas financeiras.

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Desta vez, a Apple optou por transferir parte dessa complexidade para a Klarna. A fintech fica responsável por atividades como análise de crédito e cobrança, além de assumir parte dos riscos financeiros e regulatórios envolvidos na operação. A Apple, por sua vez, mantém a experiência de compra dentro de seu ecossistema.

Mensalidade pode mudar o comportamento do consumidor

O lançamento ocorre em um momento estratégico para a companhia. A alta nos custos de componentes, especialmente de memória, já pressiona a indústria de eletrônicos e contribuiu para aumentos de preços em produtos como Macs e iPads. Ao mesmo tempo, há expectativa de que novos dispositivos da Apple tenham preços ainda mais elevados, incluindo um possível iPhone dobrável que pode superar os US$ 2 mil.

Nesse cenário, a assinatura muda a forma como o consumidor enxerga o preço do produto. Em vez de decidir se vale a pena desembolsar US$ 1 mil ou US$ 2 mil por um aparelho, a decisão passa a ser se uma mensalidade de algumas dezenas de dólares cabe no orçamento.

O modelo pode representar uma mudança relevante no comportamento do consumidor americano, especialmente em um momento de pressão sobre o poder de compra provocado pela inflação.

O programa também pode abrir uma nova frente de monetização para a Apple no mercado de aparelhos usados. Ainda não está claro, porém, como o valor residual dos dispositivos será dividido entre a Apple e a Klarna.

Desde o anúncio da parceria, na semana passada, as ações da fintech acumulam alta de cerca de 10%.