O Ebit ajustado por tonelada de ATR (Açúcar Total Recuperável) da São Martinho (SMTO3) ficou em R$ 156 no trimestre encerrado em junho, queda de 60% em um ano e 57% abaixo do que projetava o BTG Pactual.
A moagem somou 8,5 milhões de toneladas de cana, alta de 4%, com produtividade agrícola melhor que a da safra anterior. A companhia colheu 7% mais toneladas de cana por hectare (TCH).
O ganho de produtividade, porém, não chegou à margem. O ATR por tonelada ficou praticamente estável em um ano e anulou a alavancagem operacional esperada pelos analistas.
Custo caixa não cede como o banco esperava
“O custo caixa unitário, excluindo outras receitas, caiu apenas 2% na comparação anual. É muito menos do que tínhamos”, escreveram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, analistas do BTG Pactual.
Na frente comercial, a empresa empurrou a maior parte das vendas de etanol para a segunda metade da safra, depois da forte queda de preços do combustível no período. As vendas de açúcar ficaram em linha com as estimativas do banco.
“É difícil tirar conclusões fortes com base apenas no primeiro trimestre da safra. Ainda assim, esperávamos ver uma diluição maior de custos”, ponderaram os analistas do BTG Pactual.
Milho vira o motor de rentabilidade
O etanol de milho respondeu por Ebit de R$ 76 milhões, quase dois terços do resultado consolidado, com margem de 32,5%. O custo caixa de produção ficou em R$ 1,5 por litro, contra cerca de R$ 2,5 por litro no etanol de cana.
“A decisão da São Martinho de entrar no negócio de etanol de milho anos atrás, junto com os investimentos em expansão de capacidade, se mostrou bastante valiosa”, apontaram Duarte e Guttilla.
A companhia tem cerca de 70% da produção própria de açúcar do ciclo atual travada em hedge, mas menos de 2% da safra seguinte. Com a commodity acima de 17 centavos de dólar por libra-peso, patamar não visto havia mais de um ano, o BTG projeta aceleração das travas.
Os preços internacionais do açúcar subiram mais de 10% no mês, puxados pela alta no mercado doméstico indiano. O etanol mais barato começa a estimular a demanda, o que pode dar algum suporte de preço nos próximos meses.
“Isso pode gerar algum alívio nas ações, mas nossas preocupações de prazo mais longo com o aumento da oferta de etanol permanecem”, concluíram os analistas do BTG Pactual, que mantiveram recomendação neutra para SMTO3.






