A São Martinho (SMTO3) teve melhora nos indicadores operacionais no primeiro trimestre da safra 2026/27, mas a recuperação no campo não foi suficiente para evitar uma forte deterioração dos resultados financeiros. Segundo a BB Investimentos, a companhia enfrenta um cenário de preços mais baixos para açúcar e etanol, ao mesmo tempo em que mantém um elevado programa de investimentos.
A receita líquida caiu 17,6% na comparação anual, para R$ 1,53 bilhão, pressionada principalmente pelo etanol. A receita com o combustível recuou 26%, refletindo queda de 23% no volume vendido e de 4,2% nos preços. No açúcar, o aumento de 14,5% no volume comercializado não compensou a queda de 25,7% nos preços.
Com isso, o EBITDA ajustado caiu 27,7%, para R$ 582 milhões, enquanto a margem recuou 5,3 pontos percentuais, para 38,1%. O lucro líquido ficou em R$ 38,1 milhões, queda de 39% em um ano.
O cenário também aparece na geração de caixa. A geração operacional caiu para R$ 219 milhões, apenas 37% dos R$ 584 milhões registrados um ano antes. Ao mesmo tempo, a dívida líquida avançou 5%, para R$ 5,2 bilhões, em meio ao plano de investimentos de R$ 2,9 bilhões previsto para a safra.
Etanol de milho ganha importância
Apesar do cenário adverso, a operação de etanol de milho se destacou positivamente. A unidade respondeu por cerca de 9% do ATR produzido pela São Martinho, mas gerou R$ 82,5 milhões em EBITDA no trimestre, o equivalente a 14,2% do total.
Para a BB Investimentos, o negócio ajuda a diversificar as receitas da companhia, reduz a exposição a eventos climáticos e adiciona fontes de receita com subprodutos como DDGS e óleo de milho.
No campo, os indicadores também melhoraram, com alta de 3,9% na moagem, de 7% na produtividade agrícola e de 4,3% no ATR produzido, favorecidos pela normalização das condições climáticas.
A BB Investimentos, porém, mantém recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 21 para 2026. Na avaliação do banco, a São Martinho continua sendo uma companhia de elevada qualidade operacional, mas está inserida em um ciclo menos favorável, marcado por preços menores, margens pressionadas e maior necessidade de investimentos.






