Presença na sétima edição da Money Week, Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual (BPAC11), analisou o cenário político e econômico do país pós-eleição.
Para ele, o mercado atualmente reage às incertezas do que será o novo governo na área econômica, mas haverá um ajuste de rota natural que deve ser encarado com tranquilidade pelo investidor.
“O BTG está completando 40 anos e eu, 30 anos trabalhando no banco. Nesse tempo todo, o Brasil foi tudo, menos estável”, resume.
Apesar das instabilidades, ele diz, nesse tempo todo surgiram grandes empresas, como BTG, EQI, Weg, Natura, Ambev etc. “O Brasil é maior do que qualquer ciclo político. Os mercados são maduros e profundos o suficiente”, avalia.
E complementa: “Na Inglaterra, quando se ameaçou com uma política fiscal considerada inadequada, o mercado reagiu e houve uma correção de rumo. Nas eleições brasileiras, mais um exemplo”.
“O mercado estava instável quanto à incerteza sobre se aconteceria ou não um novo episódio como o do Capitólio (de contestação ao resultado das urnas nos EUA). Na segunda-feira pós-eleição, isso não se confirmou e mercado reagiu bem. É muito importante seguir o caminho, ter estratégia e saber navegar a volatilidade”, recomenda.
“Se propostas insustentáveis forem feitas, o mercado vai avisar”, enfatiza. “E se não adiantar, o mercado vai se adaptar a um ciclo mais volátil ou até a uma mudança de estratégia, se houver mudança de longo prazo”, diz.
No entanto, toda a discussão se concentra, hoje, apenas em especulação: “Não sabemos nada ainda, quem será o ministro, qual a solução fiscal, qual a agenda de reformas, qual a política dos bancos públicos, das concessões e da Petrobras. Mas vejo como mais um ciclo. O bom senso e a boa política econômica acabam prevalecendo”.
Juliano Custodio, CEO da EQI, complementou a fala, acrescentando que há instituições sólidas no país para promover o acerto de rumo, se necessário. “Temos o Congresso e temos mais dois anos do atual Banco Central, então, pelo menos por esse período, estamos tranquilos”, diz.
Quem é Roberto Sallouti, CEO do BTG?

Filho e neto de imigrantes, Sallouti sempre teve, dentro de casa, o incentivo para buscar uma formação mais global. Ele cursou a Graded, tradicional escola americana de São Paulo. Na graduação, escolheu estudar economia com especialização em finanças e marketing na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
“Fui para os EUA em 1990, quando ainda não era tão usual as pessoas estudarem fora. Mas sempre tive esse suporte e o incentivo da família. Fui visitar as faculdades americanas e fiquei apaixonado”, ele conta.
Já formado, sua decisão foi voltar para o Brasil. “Tive várias oportunidades de ficar por lá. Mas tinha uma convicção muito forte de que a graduação teria mais valor aqui do que lá. Lá, eu seria um em um milhão. No Brasil, eu seria um em dez”, afirma.
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Com o diferencial de ter estudado no exterior, Sallouti foi escolhido como estagiário do Pactual por um dos fundadores do banco, Luiz Cezar Fernandes.
André Esteves, de quem Sallouti hoje é considerado braço direito e com quem percorreu toda a jornada de crescimento do BTG Pactual, não tinha essa experiência no currículo.
Quando Esteves entrou no banco, o Pactual vivia uma outra fase, de atrair talentos diversos, com muito mais disposição para o trabalho do que formação específica e sofisticada em finanças. Há quem diga que, quando Sallouti foi contratado, o Pactual queria melhorar a fama de “banco de cowboy” que tinha no mercado.
Assim como Esteves, Sallouti também fez carreia na área de renda fixa do banco. E foi galgando posições.
Além de Roberto Sallouti, CEO do BTG, a Money Week está recheada de convidados renomados do mercado. Participe também. Faça sua inscrição aqui.