Assista a Money Week
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Money Week
Notícias
Louise Barsi: “O futuro é o investimento de hoje”

Louise Barsi: “O futuro é o investimento de hoje”

No primeiro dia da sétima edição da Money Week, Louise Barsi, economista, investidora profissional e fundadora do portal “Ações Garantem o Futuro” e Olívia Alonso, CEO da Monett abordaram o tema “O Futuro é o Investimento de Hoje”. 

O objetivo do painel foi tratar da importância de encarar os investimentos como um objetivo a longo prazo para colher bons resultados. “O mercado financeiro não é um cassino, no qual se fica rico de repente. Essa ideia acaba isolando o mercado do dia a dia das pessoas”, esclarece Louise.

Louise é filha do maior investidor pessoa física do Brasil, Luiz Barsi, conhecido como o “rei dos dividendos” ou “Warren Buffett brasileiro”. A natureza investidora está em seu DNA e ela se auto declara uma apaixonada pelo mercado financeiro.  

“Por incrível que pareça, só descobri o tamanho do privilégio de ter o pai que tenho quando estava na faculdade. Não fui criada com mimos. Recebia uma mesada que era fruto da carteira de ações que meu pai montou para mim. Mas, ele sempre dizia que se a empresa não lucrasse, não haveria mesada”, conta a investidora.  

Educação financeira é o que transforma

“Fala-se muito em criar a bola de neve nos investimentos. Mas, não há a paciência e disciplina de deixar nevar”, aponta Louise.

Publicidade
Publicidade

Para ela, é somente através da educação financeira que é possível saber que juros não são algo que se paga nas dívidas que são contraídas, mas, que também é possível recebê-los. 

“Quando se consegue fazer essa ‘virada de chave’ a vida das pessoas se transforma”, comenta. 

foto de Louise Barsi e Olivia Alonso

Comprar na alta e vender na baixa não é algo sustentável

A plataforma “Ações Garantem o Futuro”, que Louise comanda, tem o objetivo de ajudar o investidor no dia a dia. Desde o planejamento inicial, até a escolha da melhor empresa para aportar mensalmente. 

As premissas surgiram de um estudo pioneiro que Luiz Barsi elaborou na década de 1970. 

“Antes se falava muito em ‘comprar na baixa e vender na alta’. Mas, essa não era uma prática sustentável, pois havia dias de bonança e dias de pouco dinheiro. Quem entra na bolsa tem que ter o mindset de ‘empreendedor-investidor’, é preciso saber que você se tornará sócio de uma empresa”, esclarece. 

Nesse sentido, Louise reforça: “O mercado financeiro não é um cassino, no qual se fica rico de repente. Essa ideia acaba isolando o mercado do dia a dia das pessoas. Trata-se de um ciclo. Além disso, em todas as bolsas do mundo, é possível encontrar boas empresas que paguem bons dividendos a bons preços. Esse é o pilar de toda a estratégia”, completa.  

Dividendos bons são os recorrentes

Para Louise, quando o assunto são os dividendos da carteira de ações, a dica primordial é ter paciência.

“Não se deve deixar ludibriar por empresas que pagam dividendos estratosféricos. É preciso verificar a perenidade. A ideia é sempre olhar o histórico de recorrência, pois isso torna mais fácil ter uma previsibilidade do quanto você irá receber no futuro”. 

Governo Lula: hora de se desfazer das estatais? 

Já quando os temas são as estatais, a discussão no mercado financeiro sempre fica acalorada quando há troca de governo. 

No entanto, Louise aponta que as estratégias de carteira devem ser montadas independentemente de quem está no comando do país. Para ela, mudá-las a cada quatro anos não é algo sustentável e pode comprometer os objetivos a longo prazo.

“Quanto às estatais, o risco deve estar sempre no preço. Quanto maior o risco, maior deve ser a margem de segurança do investidor. No Brasil, se fala muito que ‘até o passado é incerto’. Essa inconstância traz uma certa insegurança jurídica institucional para quem está investindo no país. Muitos investidores temem que o que aconteceu no passado venha a acontecer novamente”. 

Contudo, ela lembra que hoje é possível contar com uma maior transparência, com a ajuda da internet e da Lei 13.303, conhecida como a “Lei das Estatais”, que estabelece diretrizes quanto à composição do board das empresas. “Isso dá muito mais segurança para decisões estratégicas. Existem inúmeras normas e regras que precisam ser cumpridas com relação à compliance”, aponta.

Como encontrar empresas boas pagadoras de dividendos?

Para Louise, as empresas boas pagadoras de dividendos de forma sustentável precisam ter, via de regra, fluxo de caixa suficiente para re-investirem em seus negócios. Assim como ter dinheiro de sobra para remunerar seus acionistas no final do trimestre. 

No entanto, ela ressalta que não é qualquer setor que consegue fazer isso com facilidade e previsibilidade. “Independentemente do governo, buscamos sempre empresas em setores perenes, que, provavelmente, estarão vivas daqui a 10 anos”, diz. 

A base da reconhecida estratégia dos Barsi se fundamenta na sigla “BESST”: Bancos, Energia, Seguro, Saneamento e Telecomunicações. 

Mas, quando é hora de vender as ações?

Se as ações devem entrar para a carteira com foco no longo prazo, como o investidor pode ficar atento para identificar a melhor hora de vender? 

A painelista comenta que a hora certa de se desfazer das ações é quando há perda de fundamento, o que às vezes não é algo tão óbvio, pois é preciso esperar vários trimestres ruins para tomar uma decisão. Outro momento seria quando se percebe que a empresa é mais arriscada que o perfil do investidor pode aceitar. 

Quantas ações ter na carteira?

“Para o iniciante, a dica é escolher, no máximo, cinco ações para ir alternando e aportando mês a mês. Evite fazer muitas movimentações de trocas de papéis. Às vezes, o investidor acaba não vendo nem dividendo, nem valorização. Mas, quanto a isso, a culpa não é da bolsa, mas sim, de quem aperta o botão”, defende a investidora.

Mas, existe um número ideal? Louise diz que sim: “Tenha pelo menos, três ações a cada ano que você completa como investidor. Se você não se sentir confortável com essa regra, vale a pena considerar a quantidade de empresas que se pode acompanhar com profundidade”. E neste caso, com certeza não serão muitas.  

A hora certa de entrar na bolsa

Para Louise, a melhor hora é quando dois passos iniciais são cumpridos pelos investidores. 

“Não entre na bolsa sem antes preencher duas caixinhas: tenha um dinheiro que pode ser usado a curto prazo, a chamada ‘reserva de emergência’. Para guardá-la, vale o Tesouro Selic ou um CDB com liquidez imediata. Na segunda caixinha ficam os sonhos e objetivos de médio prazo, que também devem ficar investidos na renda fixa, pois se tratam de objetivos definidos”, ensina. 

Segundo a investidora, o passo final para ir à bolsa seria ter que cumprir os preceitos de uma terceira caixinha, que para ela, representa um compromisso de longo prazo. “Nela é feito um compromisso consigo de garantir o seu próprio futuro. Não conte com o governo para isso”.

Para finalizar, ela recomenda que tendo cumpridos esses três passos anteriores, o investidor já pode começar na bolsa. 

“Nesse momento, conte com os setores ‘BESST’. São empresas previsíveis, de setores perenes, cuja as receitas são corrigidas por algum índice inflacionário, e que estão consolidadas no seu negócio”, orienta. “E não se esqueça de ter prioridade, disciplina e paciência”, encerra a painelista.