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Money Week e o cenário das elétricas: resiliência e oportunidades na bolsa

Money Week e o cenário das elétricas: resiliência e oportunidades na bolsa

Money Week e o cenário das elétricas: resiliência e oportunidades na bolsa. A seguir, confira os principais pontos desse painel.

Para falar sobre o cenário das elétricas na bolsa, a Money Week convidou Luiz Barroso, presidente da PSR, Eduardo Sattamini, CEO da Engie Brasil e Bernard Holcman, sócio e analista da Ibiuna Investimentos. A seguir, confira alguns dos principais pontos dessa conversa.

Cenário das elétricas e os riscos de fornecimento de energia

Segundo Luiz Barroso, 2021 já não apresenta mais um risco de apagão, ou mesmo de qualquer estresse de fornecimento de energia. Além da melhora das chuvas, ele atribui o fato às ações tomadas pelo governo no sentido de garantir a oferta no país.

“Desde maio, o governo tem importado energia e, também, vem trazendo energia renovável do Sudeste para o Nordeste. Na verdade, foi a combinação dos dois fatores que surtiu um efeito positivo na nossa situação energética: a retomada das chuvas e a energia negociada. Isso fez com que a probabilidade de racionamento de energia em 2021 caísse de 20% para 1% ”, declara Barroso.

Perspectivas para 2022

Em relação ao risco de racionamento de energia em 2022, Barroso diz que a PSR trabalha com uma estimativa de 4%, que é bastante baixo.

Isso porque, na sua opinião, existem ferramentas que permitirão uma maior folga de energia disponível, se comparado a 2021. “Para se ter uma ideia, o governo pode deixar as termoelétricas ligadas no período úmido, para encher os reservatórios. Além disso, temos 7 mil megawatts de nova oferta não hidroelétrica entrando em operação. Recentemente, o governo fez um leilão para compra de 1,2 mil megawatts para geração de energia termoelétrica como reforço para 2022, e ainda temos todo o aprendizado de 2021, que servirá para o ano que vem”, conclui.

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Já o CEO da Engie Brasil fala sobre a importância da gestão ativa que a empresa costuma fazer no portfólio, principalmente em momentos de volatilidade como o atual. “Faz parte de nossa estratégia o acompanhamento diário das condições climáticas. Com reservatórios ainda em níveis baixos, essa gestão ativa é ainda mais intensa na Engie”, diz Sattamini.

Cuidados a serem tomados no setor elétrico

Para Bernard Holcman, um segmento que deve ser olhado com mais cautela hoje dentro do setor elétrico é o das distribuidoras.

Sobre isso, ele explica que o setor elétrico é dividido em três grandes segmentos: a geração, a transmissão e a distribuição de energia. “Em relação ao setor de distribuição, o nosso receio é, basicamente, a inflação em alta. Isso porque a conta de luz foi uma das coisas que mais subiu nos últimos tempos, pois todas as térmicas estão ligadas hoje para dar conta da demanda de energia. Se o governo resolver propor alguma tarifa diferente, as distribuidoras podem ser impactadas, pois precisam ter capital de giro para repassar para as transmissoras e geradoras. Por outro lado, estamos confortáveis com todas as geradoras (como a Engie, por exemplo), pois são empresas que se prepararam para a crise e estão olhando com lupa esse cenário adverso”.

Como mitigar o risco hidrológico?

No caso da Engie, Sattamini diz que a empresa tem investido muito em energias renováveis, como eólica e solar. “Além disso, atuamos firmemente junto ao governo no sentido de revisar as garantias físicas (quantidade máxima de energia que pode ser utilizada para comercialização). Por fim, temos uma estratégia que envolve aumentar as compras nos períodos mais críticos e deixar de vender em outros, além de garantias adquiridas nos últimos anos”.

Sobre a diversificação da matriz energética, Bernardo reitera a importância da atuação das geradoras nesse sentido. “Na Ibiuna, nós olhamos muito de perto as empresas que estão diversificando a matriz geradora, como Ômega e CESP (pela potencial fusão com a Votorantim energia), por exemplo. Por outro lado, também é muito importante olhar para o retorno esperado para esses projetos. Isso porque não adianta somente uma determinada empresa querer diversificar pagando muito caro sem ter o devido retorno. Ou seja, não adianta somente a diversificação em si, mas sim quem consegue fazer isso com a melhor relação de risco e retorno para o acionista”, conclui o analista.

Alta da Selic e queda das ações de energia: qual a relação?

Segundo Bernardo, quando os juros do país sobem, é preciso descontar o fluxo de caixa dessas empresas a uma taxa maior. Dessa forma, o valor presente dividido pela quantidade de ações acaba caindo. Logo, o preço da ação também sofre redução no mercado.