As units da Klabin (KLBN11) perderam a recomendação de compra no Banco Safra. O analista Ricardo Monegaglia rebaixou o papel para neutro, fixando o preço-alvo em R$ 23,30 — o que implica retorno total de apenas 13% a partir dos níveis atuais.
A decisão vem após uma alta de 10% nas units desde a última atualização do banco, movimento que, na avaliação do analista, consumiu boa parte do upside disponível no papel.
O diagnóstico de Monegaglia é direto: “câmbio mais forte, premissas de preço de kraft mais baixas e estimativas de custo-caixa mais altas limitam o potencial de valorização” da Klabin.
O banco cortou sua estimativa de Ebitda para a companhia em 6% para 2026, enquanto elevou em 3% a projeção para a Suzano (SUZB3) — movimento que amplia o diferencial de atratividade entre as duas empresas do setor.
Um ponto de atenção específico é o guidance de custo-caixa divulgado pela própria Klabin: R$ 3.200 a R$ 3.300 por tonelada para 2026. “O guidance é preocupante para um ano de manutenção leve, à medida que os ganhos com venda de terras se dissipam”, destaca Monegaglia.
Com custos pressionados e receitas de ativos não recorrentes se esgotando, o caminho para a desalavancagem fica mais estreito.
Os números de retorno ao acionista também recuaram. O FCF yield (Rendimento de Fluxo de Caixa Livre) médio projetado para a Klabin entre 2026 e 2028 caiu de aproximadamente 11% para 8% — bem abaixo dos 13% estimados para a Suzano no mesmo período.
Em termos de múltiplos, a Klabin negocia a 7,6 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda (EV/EBITDA) de 2026, acima da média histórica de 7 vezes, o que torna o valuation “menos convincente”, na visão do analista.
Suzano é a top pick
Do lado positivo do setor, o cenário para celulose melhorou globalmente. A revogação de licenças florestais na Indonésia, o adiamento da expansão da fábrica OKI da APP para o fim de 2026 e sinais mais firmes de demanda chinesa equilibraram a relação entre oferta e demanda. O Safra projeta preço médio de US$ 602 por tonelada para a celulose de eucalipto em 2026.
Nesse ambiente, “a Suzano segue melhor posicionada para o ciclo de alta da celulose de folhosa, com cerca de 85% do EBITDA atrelado à commodity”, conclui Monegaglia, reafirmando a preferência pela rival como top pick do setor, com preço-alvo de R$ 71,00 e retorno total projetado de 22%.
Está interessado em ganhar com fundos imobiliários? Clique no botão abaixo e tenha um relatório gratuito.






