A Japurá Pneus quadruplicou seu faturamento em cinco anos após reorganizar processos internos e preparar a gestão para uma nova fase de crescimento. A trajetória foi apresentada por Helena Monteconrado, COO e cofundadora da companhia, durante a Money Week 2026.
Com o tema “Crescer é mais do que vender: as decisões por trás de uma empresa de R$ 380 milhões”, a palestra abordou sucessão, governança e os desafios de transformar uma empresa familiar. A apresentação foi conduzida por Denys Wiese, head de Corporate and Banking da EQI Investimentos.
Helena contou que, ao assumir a operação, identificou a necessidade de estruturar a companhia antes de acelerar as vendas. A decisão exigiu rever processos e dedicar recursos a áreas que não produziam retorno imediato, mas seriam fundamentais para sustentar a expansão do negócio.
“É muito difícil ‘parar de vender’ para organizar a empresa. Não é um resultado que vem da noite para o dia, mas, quando assumi, entendi que seria o trabalho necessário para levar o negócio a outro patamar”, afirmou Monteconrado.
Segundo a executiva, o faturamento da Japurá Pneus passou de R$ 80 milhões, em 2021, para R$ 120 milhões no ano seguinte. Para 2026, a projeção apresentada durante o painel é de aproximadamente R$ 320 milhões, crescimento de quatro vezes em relação ao início do período.
Organização prepara empresa para crescer
A experiência da Japurá Pneus mostra que o aumento das vendas precisa ser acompanhado pela profissionalização da gestão. Sem processos definidos, governança e acompanhamento financeiro, a expansão pode pressionar o caixa e criar dificuldades operacionais.
O desafio ganha peso nas empresas familiares, nas quais as decisões sobre a administração do negócio se misturam à sucessão e às relações entre os integrantes da família. Para Helena, organizar a companhia foi uma condição para crescer de maneira sustentável e alcançar um novo patamar de faturamento.
A executiva também apontou o capital de giro e o acesso ao crédito entre os principais obstáculos enfrentados pela empresa. Nesse contexto, a área financeira e a gestão dos recebíveis passaram a ter função estratégica dentro da operação.
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Recuperar recebíveis reduz necessidade de crédito
Em vez de recorrer imediatamente a empréstimos para reforçar o caixa, a Japurá Pneus passou a priorizar a recuperação de valores devidos por clientes e a adoção de critérios mais eficientes para as vendas a prazo.
“Como empresa familiar, nosso maior problema é o capital de giro e o acesso a crédito. Nos últimos anos, nossa área de recebíveis, a parte financeira, tornou-se estratégica”, disse Monteconrado.
Segundo Helena, o dinheiro a receber pode representar uma fonte de recursos mais barata do que novas operações de crédito. A estratégia envolve reduzir a inadimplência, acompanhar os prazos concedidos e melhorar a conversão das vendas em caixa.
“A melhor fonte de financiamento para nós não é pegar dinheiro emprestado no mercado, mas receber dos clientes inadimplentes e ter estratégia para as vendas a prazo. É o dinheiro mais barato que você tem e está parado ali na mesa”, afirmou.






