Nos últimos dois anos, o Ethereum deixou de ser apenas “a rede dos contratos inteligentes” para se consolidar como a principal infraestrutura programável do mercado cripto. Foi um período de mudanças profundas, tanto técnicas quanto institucionais, que colocaram o ETH de volta ao centro do debate junto com o Bitcoin.
Enquanto isso, o BTC manteve sua posição de estrela do ciclo atual, com dominância acima de 66% em junho. Mas será que o Bitcoin seguirá soberano até dezembro?
Ethereum: upgrades e a força das L2s
O Ethereum vive um momento singular. O upgrade Dencun, em março, barateou o espaço de dados para rollups com as transações em blobs, acelerando a adoção de L2s. Pouco depois, em maio, veio o Pectra, que melhorou a experiência de carteiras e ampliou a eficiência do staking ao elevar o limite de saldo por validador.
Na prática, a rede se torna mais barata e escalável, com L2s movimentando hoje mais de US$ 40 bilhões em valor protegido. E o roadmap técnico segue vivo: em 2025, o PeerDAS promete expandir ainda mais a capacidade para dados, fortalecendo a saúde do ecossistema.
ETFs e RWAs: o ETH na mira dos institucionais
Se por um lado o Bitcoin foi o grande beneficiado com a chegada dos ETFs à vista, o Ethereum começa a mostrar tração. Só em uma semana, os fundos de ETH captaram mais de US$ 2,8 bilhões líquidos, representando 77% de todas as entradas em cripto.
A essa altura, já não dá para ignorar o peso dos institucionais no ecossistema Ethereum. Além dos ETFs, cresce a tokenização de ativos do mundo real (RWAs). O mercado de Treasuries tokenizados superou US$ 7,3 bilhões em 2025, com destaque para o fundo BUIDL, da BlackRock. Tudo isso reforça que boa parte da inovação financeira on-chain está acontecendo no Ethereum.
Bitcoin: a narrativa ainda é dele
Apesar do avanço do ETH, é inegável que o Bitcoin segue sendo o protagonista. Ele continua sendo a “reserva de valor” preferida, apoiado em fluxos institucionais e na narrativa maximalista que mantém seu papel simbólico no mercado.
Foi esse conjunto que levou a dominância do BTC acima de 66% neste ciclo — um patamar que poucos acreditavam ser possível há alguns anos.
Por que o ETH pode virar o jogo?
Mesmo “correndo atrás”, o Ethereum carrega fatores que podem dar o tom até dezembro:
- Fluxos em ETFs ainda no começo: os fundos de ETH têm menos histórico que os de BTC, e as entradas recentes sugerem espaço de crescimento;
- Staking como diferencial: enquanto o Bitcoin não paga yield, o ETH remunera validadores. Hoje, cerca de 30% da oferta total está em staking, reduzindo o free float;
- Upgrades com impacto econômico: Dencun, Pectra e o futuro PeerDAS tendem a aumentar atividade em L2s e pressionar a dinâmica de oferta;
- RWAs “falando Ethereum”: Treasuries tokenizados e fundos on-chain de grandes gestores acontecem, em sua maioria, na rede do ETH.
O que pode dar errado?
Claro, há riscos no caminho: atrasos em upgrades, competição de outras L1s, mudanças regulatórias no staking e até uma retomada forte de fluxos para ETFs de BTC podem frear o movimento pró-ETH.
É por isso que sigo acompanhando de perto métricas-chave como entradas em ETFs, atividade nas L2s e o roadmap técnico da rede.
Quem leva até dezembro?
Minha leitura é clara: o Bitcoin já entregou sua narrativa e consolidou sua dominância neste ciclo. Mas o Ethereum reúne um conjunto poderoso de catalisadores — upgrades, staking, ETFs e RWAs — que podem sustentar uma outperformance relativa nos próximos meses.
Até dezembro, a disputa ETH x Bitcoin não será apenas de preço, mas de relevância estrutural no ecossistema cripto. E, dessa vez, o ETH tem boas chances de surpreender.
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